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SÃO PAULO - Antes associados à extrema industrialização e artificialidade, os congelados ganham hoje ares de alimentos saudáveis nas mãos de empreendedores que apostam no setor e na preocupação da população com a saúde.



No último ano o setor de supergelados e congelados faturou R$ 14,5 bilhões, uma alta de R$ 1,3 bilhão em relação a 2014, segundo dados da Associação Brasileira das Indústrias da Alimentação (Abia). A entidade atribui o resultado à demanda crescente dos consumidores por conveniência e praticidade.



A Abia também destaca, dentre os principais fatores que têm contribuído para a expansão do consumo de pratos prontos e semiprontos congelados, a evolução da participação feminina no mercado de trabalho - em 2014, as mulheres representaram 44% da população economicamente ativa (última PNAD-IBGE); o crescimento do número de pessoas morando sozinhas, que já respondem por mais de 14% do total dos domicílios (PNAD-IBGE); a busca por conveniência e gourmetização; e o avanço do processo de urbanização e a evolução do emprego e da renda.  



"Muitas famílias foram obrigadas a diminuir as despesas com diaristas quando a crise econômica recente obrigou a todos rever os seus hábitos de consumo. E por fim, o consumidor deixou de frequentar os restaurantes trocando por pratos prontos finalizados em casa porque serve mais pessoas e é mais barato que consumir na rua", explica a professora de marketing da Provar, Dayse Maciel.



Foi dessa vontade de consumir uma alimentação saudável e prática quando ainda trabalhava no mercado financeiro que o jovem Victor Santos, em conjunto com os irmãos Henrique e Felipe Castellani, viu a oportunidade de empreender.



O trio pensou em uma forma de oferecer um tipo de refeição que fosse prática, saudável, gostosa e com valor acessível. Juntos criaram a startup paulistana de alimentos congelados Liv Up com a proposta de ser um restaurante delivery de refeição congelada orgânica e livre de conservantes.



Os empreendedores visitaram cozinhas, pesquisaram feiras de equipamentos industriais e descobriram uma máquina de utracongelamento italiana que conferia às refeições durabilidade de até seis meses no freezer do consumidor.



A técnica consiste no congelamento dos alimentos de forma rápida, a temperaturas extremamente baixas, com o objetivo de manter as características nutricionais praticamente intactas, o que possibilita ao consumidor a compra planejada de kits prontos para vários dias da semana.



"Alimento congelado no freezer convencional, trabalha -18 Cº, o congelamento é mais lento, favorece a criação de cria micro células e rompe fibras e propriedades do alimento. Quando esquenta, a comida fica molenga e solta água. O ultracongelador trabalha com -40 ºC possui um ventilador que fica trocando o ar rapidamente e deixa a consistência dos alimentos e legumes como feitos na hora", explicou o co-fundador Victor Santos.



A startup também aceitas pedidos individuais ou compra de itens separados, como proteínas, legumes ou personalizar a refeição. Hoje a empresa registra mais de mil pedidos ao mês.



Os empreendedores captaram R$ 675 mil em janeiro de 2015 para investimento e mais R$ 250 mil de recursos próprios. Hoje o time da LivUp conta com 15 colaboradores e a expectativa é encerrar 2016 com o faturamento em torno de R$ 1 milhão.



Outra que seguiu na mesma linha e opera desde o ano passado é a Leve e Pronto, também de São Paulo. Criado pelo empreendedor Rafael Mendrot, o restaurante surgiu de uma necessidade pessoal.  Depois do nascimento de seu filho, Mendrot viu a rotina da família mudar e a falta de tempo começou a interferir nos momentos de lazer. 



Com a ajuda do sócio, Daniel Martin, o empreendedor levantou um investimento inicial de R$ 150 mil, parte por financiamento bancário e parte recursos próprios.



Os pratos da empresa são individualmente embalados a vácuo e também possuem validade de até seis meses, se conservadas no freezer.  A Leve e Pronto oferece kits e programas personalizados para atender necessidades específicas dos clientes, como fitness, infantil e vegetariano.



Segundo Mendrot, desde o início das operações, a startup tem crescido 20% ao mês. O empreendedor não informa valores, mas  a expectativa é fechar 2016 com crescimento de 35% sobre o resultado de 2015. Ainda, para este ano, a Leve Pronto prepara o lançamento de mais dois kits.



Para Dayse Maciel do Provar, o sucesso dos dois cases revela que o consumidor, ao mesmo tempo que procura praticidade,  busca comer bem e de forma saudável. "Em alguns momentos as pessoas necessitam preparar suas refeições de forma rápida e querem ingredientes reconhecíveis e com mais sabor caseiro".