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As montadoras trabalham com cenário de crescimento um pouco menor para 2019 no País, com as vendas avançando próximo de 10%. Executivos aguardam uma definição política no Brasil e avaliam a extensão do impacto da crise argentina para definir projeções e investimentos.

O presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), Antonio Megale, projeta que as vendas internas devem crescer “dois dígitos baixos” no ano que vem. Enquanto isso, a produção não deve avançar mais do que 10%, afetada por uma redução expressiva nas exportações à Argentina.

Nesse contexto, o vice-presidente da Ford América do Sul, Rogélio Golfarb, espera que as exportações deixem de ser o motor de crescimento das montadoras como ocorreu no ano passado. “Em 2018 e 2019, teremos outro foco para a expansão”, disse o executivo durante o Congresso Perspectivas 2019 da editora AutoData.

Segundo o presidente da Mercedes-Benz na América Latina, Philipp Schiemer, a matriz tem receio de investir diante do clima de insegurança no País. “O ciclo de aportes da indústria é de longo prazo e nós queremos saber qual montante será aplicado no período que se inicia em 2023”, afirmou. “O mercado de caminhões brasileiro precisa de vendas anuais em torno de 120 mil unidades, não o patamar que temos hoje.”

Para driblar a crise argentina, alguns executivos entendem que as empresas devem aproveitar o avanço do mercado brasileiro. O presidente da Volkswagen América Latina, Pablo Di Si, destaca que a montadora deve usar suas fábricas argentinas para vender veículos ao Brasil, enquanto as plantas brasileiras seguem com foco no mercado doméstico. “Vamos aumentar a produção no País, que em 2018 deve ser 10% maior que no ano passado. Aqui, estamos com um crescimento muito forte, o bastante para equilibrar com a Argentina”, avalia.

Apesar disso, Di Si entende que os licenciamentos no mercado interno em 2019 devem registrar expansão de 5% a 10%, avanço inferior aos 13,7% projetados pela Anfavea para 2018. “Muitos fornecedores estão no limite da produção. Operamos em um turno com impasse de aumentar ou não para mais um. Mesmo para o mercado interno, precisamos ser conservadores”, aponta.

Na opinião de Golfarb, a redução da Selic não teve uma transmissão tão eficiente para as taxas de mercado e uma melhora na concessão de crédito aumentaria os licenciamentos ao consumidor, reduzindo a participação das vendas diretas no total emplacado no País.

Eleições

Executivos ainda se mostraram preocupados com o cenário político. Na avaliação de alguns deles, os presidenciáveis Fernando Haddad (PT) e Jair Bolsonaro (PSL) ainda não demonstraram propostas claras para a indústria automotiva.

“É difícil prever o crescimento das vendas sem saber o futuro da política econômica. Não basta sabermos o resultado das eleições”, diz Golfarb.

Schiemer também demonstra preocupação com as incertezas políticas. “Sem confiança, os empresários não investem. Não podemos virar uma Venezuela, temos que olhar para outros mercados como exemplos.”

Por outro lado, Di Si não vê grandes mudanças no posicionamento da Volkswagen de acordo com o possível vencedor da eleição presidencial. “Vemos continuidade com qualquer um dos candidatos. Nas últimas três semanas, o fluxo nas lojas continuou forte apesar do cenário eleitoral conturbado. O consumidor tem vontade de comprar bens duráveis”, garante. Ele lembra que a montadora mantém os planos. “Temos o projeto para um novo compacto que está para ser aprovado”, revela.