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Os carros elétricos finalmente estão chegando às concessionárias brasileiras, com vários lançamentos programados para 2019. No entanto, o preço e a falta de infraestrutura ainda são obstáculos para a popularização deste tipo de veículo.

No Salão do Automóvel de São Paulo 2018, que abre ao público amanhã, a Chevrolet apresentou o elétrico Bolt, que começará a ser vendido no Brasil no ano que vem por R$ 175 mil. Segundo o presidente da GM do Brasil, Carlos Zarlenga, embora o País ainda seja deficiente na oferta de infraestrutura para o carregamento desse tipo de veículo, ao se colocar o produto nas ruas o interesse no negócio deve surgir. “Acredito que teremos alguns consumidores que comprarão o carro e demandarão mais infraestrutura”, afirma o executivo. “Logo teremos startups que irão oferecer carregamento em shoppings, por exemplo. Isso já começou a acontecer na Europa e nos EUA.”

Outra marca que também mostrou entusiasmo com os elétricos foi a Kia. Sem fábricas no Brasil, a montadora importará três modelos elétricos em 2019. O presidente do grupo no País, José Luiz Gandini, conta que os novos Optima, Nilo e Soul serão as novidades no ramo dos elétricos e híbridos por aqui, mas que levarão tempo para fazer volumes. “Estes modelos têm um custo muito mais alto lá fora por causa da tecnologia embarcada, mas não vejo muita saída. O mundo vai entrar nessa linha de carros elétricos e híbridos”, assinala.

Gandini entende que a Lei de Eficiência Energética também impulsionará esse tipo de veículo. “O Imposto de Importação e o [Imposto sobre Produtos Industrializados] IPI já foram reduzidos junto com a aprovação do programa Rota 2030, então o incentivo está dado”, diz.

Na mesma linha, a Nissan anunciou que já começou a venda do novo Leaf, carro 100% elétrico que virá do Reino Unido e custará R$ 178,4 mil, com autonomia de 270 a 380 quilômetros. “A perspectiva é que elétricos e híbridos representem 15% do mercado brasileiro até 2025”, previu o presidente da Nissan do Brasil, Marco Silva.

Outra montadora que investirá neste nicho é a Honda, que prometeu trazer três modelos híbridos ao Brasil nos próximos cinco anos. O presidente da Honda América do Sul, Issao Mizoguchi, destaca que os pilares da empresa para o futuro são mobilidade, inovação energética, inteligência artificial e integração entre homem e máquina. “Podemos lançar um CR-V híbrido. O ideal é que seja flex também, mas o preço é muito alto. Vai demorar para pegar aqui”, projeta.

A Ford também aposta nos híbridos. A montadora apresentou o Fusion Energi com plug-in para testes no País, mas segundo o vice-presidente de assuntos corporativos da Ford para América do Sul, Rogelio Golfarb, ainda não há lançamento programado para o modelo por aqui. “O corte no IPI para híbridos e elétricos fará com que os veículos venham de acordo com a demanda do mercado. Mas o preço depende de volume e inovação”, assinala.

Já Volkswagen e Toyota estão mais cautelosas com a eletrificação exclusiva. A alemã mostrou no Salão do Automóvel o ID Cross, que será lançado na Europa em 2020, mas no Brasil depende do desenvolvimento de infraestrutura para ser carregado. “Por enquanto é difícil ir de São Paulo ao Rio de Janeiro pela falta de postos de abastecimento elétrico”, lamenta o presidente da Volkswagen América Latina, Pablo Di Si. A marca oferecerá no mercado brasileiro, a partir de 2019, o Golf híbrido.

No caso da japonesa, a grande investida em eletrificação fica por conta do Prius híbrido flex, que se torna mais sustentável com o etanol no motor a combustão. “O principal no Brasil será a implementação de híbridos com etanol”, aponta o presidente da Toyota para o Brasil, Rafael Chang.

E diante das expectativas do novo governo eleito, o presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), Antonio Megale, comenta que as montadoras apoiam as reformas e torcem pela segurança jurídica no País nos próximos quatro anos. “É necessário haver uma política industrial clara e de longo prazo”, disse.