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A Petrobras não descarta utilizar um mecanismo de proteção financeira para o diesel após o encerramento da política de subsídios, previsto para o fim de dezembro. Na semana passada, a estatal anunciou ferramenta semelhante para controlar variações abruptas dos preços da gasolina.

“Acho que esse mecanismo de hedge para a gasolina pode ser um ensaio para o diesel, embora sejam mercados consumidores diferentes. Até porque essa situação com os caminhoneiros ficou sem resolução e até agora não há um plano para janeiro”, avalia o sócio da Mesa Corporate Governance, Luiz Marcatti.

Em coletiva de imprensa nesta segunda-feira (10), em São Paulo, o presidente da Petrobras, Ivan Monteiro, admitiu que dependendo dos resultados em relação à gasolina, o mecanismo de hedge poderá ser aplicado ao diesel. “Vamos olhar essa experiência com a gasolina, mas ainda é muito preliminar. Não há nenhuma decisão tomada, mas podemos vir a implementá-la”, declarou.

Na última quinta-feira (06), a estatal anunciou que terá mecanismos de proteção — derivativos de gasolina na Bolsa de Nova Iorque e o hedge cambial no Brasil — que funcionam como formas de seguro para prevenir os efeitos das oscilações da cotação internacional e da taxa de câmbio. A Petrobras garante que não houve influência política na iniciativa. “A proposta vinha sendo estudada há meses e anunciada assim que foi aprovada, passando apenas por nossos processos internos de governança”, declarou Monteiro. Segundo ele, a adoção dos mecanismos de proteção foi causada pelas instabilidades típicas de um período eleitoral e da temporada de furacões nos Estados Unidos.

Marcatti acredita que a decisão foi motivada por razões comerciais. “Diante de um momento de crise, pela própria queda do consumo, aumentar demais os preços pode afetar o faturamento. Dentro da política de alinhar aos preços internacionais, a Petrobras tem que pensar em alternativas.”

Embora Monteiro tenha destacado que o atual estatuto da empresa limita interferências políticas, Marcatti não acredita que isso impedirá ingerências do próximo governo. “O controlador é a federação e não é impossível que, caso um presidente eleito queira fazer da Petrobras um veículo político, se altere o estatuto. Criaria um enorme barulho no mercado, mas um político extremista poderia utilizar disso para favorecer seu discurso.”

Metas financeiras

A Petrobras estima reduzir sua dívida líquida para US$ 69 bilhões neste ano e acredita que irá alcançar sua meta de desalavancagem de 2,5 vezes a dívida líquida sobre o Ebitda.

Monteiro destacou a elevação do Brent e a valorização do dólar como fatores para acelerar esse processo. “Ambos têm se mostrado acima do esperado, especialmente o Brent. Sem dúvida, isso beneficia a companhia”, afirmou.

Contrariando expectativas do mercado e da própria empresa, o preço do barril do petróleo vem se mantendo acima dos US$ 70 ao longo do ano. O economista-chefe da Nova Futura Investimentos, Pedro Paulo Silveira, acredita que esse cenário favorável deve se manter e permitir que a Petrobras cumpra sua meta. “A perspectiva anda bem, o patamar de preços deve se manter firme por um bom tempo, o que é favorável à desalavancagem.”

A Petrobras também divulgou uma estimativa de US$ 15 bilhões de fluxo de caixa livre ao final de 2018. “Esses anúncios repercutiram positivamente e a empresa está se comportando bem em meio a um ambiente turbulento”, acrescentou Silveira.