Publicado em

O resultado da Embraer no terceiro trimestre de 2018 frustrou o mercado, após queda do número de aviões vendidos no período e aumento das despesas e dívidas prejudicarem as últimas linhas do balanço da companhia. O mercado, entretanto, reagiu positivamente, de olho no acordo com a Boeing.

A brasileira reportou prejuízo líquido de R$ 83,8 milhões entre os meses de julho e setembro, contra um lucro líquido de R$ 331,9 milhões no mesmo período do ano passado. Já o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) foi de R$ 412,2 milhões no terceiro trimestre, praticamente estável em relação ao registrado no mesmo intervalo de 2017.

Analistas esperavam um Ebitda de R$ 441 milhões e lucro líquido ajustado de R$ 330 milhões para o período.

Segundo o analista da Guide Investimentos, Rafael Passos, o que mais decepcionou foi o volume de entregas. “Foram 39 aeronaves, contra 45 vendidas no terceiro trimestre de 2017. O peso disso na receita só não foi maior porque a variação cambial jogou a favor”, avalia.

Por outro lado, a dramática depreciação do real nos últimos três meses não trouxe apenas efeitos positivos, visto que elevou o endividamento líquido da companhia. “O crescimento das despesas financeiras líquidas se deve em grande parte pela atual posição de dívida líquida e a menor receita financeira de nosso caixa e equivalentes, enquanto que as perdas cambiais estão associadas à desvalorização do real em relação ao dólar norte-americano desde o início de 2018”, justificou a Embraer na divulgação dos resultados.

Valorização

Apesar dos sinais negativos, as ações da Embraer subiram 4,8%, a R$ 20,31 nesta terça-feira (30). De acordo com Rafael Passos, isso ocorreu porque o principal driver para os papéis da empresa atualmente é o acordo para criação de uma joint venture com a Boeing. “O [presidente eleito, Jair] Bolsonaro, é muito mais favorável a essa operação que o [candidato derrotado Fernando] Haddad, então os investidores se animam”, explica o analista da Guide.