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Um assessor próximo à Ministra da Agricultura, Tereza Cristina, está sendo investigado por suspeita de irregularidades em um projeto de cooperação técnica da pasta, de acordo com duas fontes e documentos de um processo administrativo disciplinar vistos pela Reuters.

A investigação, que traz indícios de superfaturamento e direcionamento de uma licitação há cinco anos, foi iniciada pela administração anterior e levou o Ministério Público Federal a pedir a abertura de um inquérito pela Polícia Federal, segundo informou o MPF.

De acordo com os documentos e as fontes, o assessor especial Francisco Basílio Freitas de Souza estaria envolvido em supostos desvios ligados a um Projeto de Cooperação Técnica (PCT) de 2014, no qual uma empresa de TI foi contratada para ajudar o governo no “fortalecimento do sistema brasileiro de defesa agropecuária”.

Souza, um dos mais importantes auxiliares da ministra, foi nomeado assessor especial de Tereza Cristina por Onyx Lorenzoni, ministro-chefe da Casa Civil, em 25 de janeiro. Pouco tempo antes, em outubro, o então corregedor do Ministério da Agricultura havia mandado ofícios ao MPF e à Polícia Federal alertando-os das suspeitas envolvendo agentes públicos e a empresa contratada no âmbito do PCT BRA/IICA/13/004.

Isto não foi empecilho para que, no final do ano passado, Souza fosse escolhido para integrar a equipe de transição do presidente Jair Bolsonaro. Souza é pesquisador da Embrapa desde 1976. Ele foi dispensado como coordenador do referido PCT, por meio de portaria, em 10 de dezembro de 2018

Tereza Cristina tem ciência da investigação, disseram as duas fontes a par do assunto, que pediram anonimato. A assessoria de imprensa do MPF disse que pediu à Polícia Federal que investigasse o caso, mas não deu mais detalhes. “Não há qualquer impedimento legal para um servidor que responde a Processo Administrativo exerça cargo de confiança”, disse o Ministério da Agricultura em comunicado.