Publicado em

BRASÍLIA - O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso afirmou ontem que seria "injusto" dizer que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva está "apenas surfando na onda" do Plano Real. "Até agora ele não disse uma palavra sobre os benefícios do Real, mas ele também fez sua parte", disse, em rápida entrevista, depois de participar de homenagem aos 15 anos do Plano Real no plenário do Senado.

Para Fernando Henrique, uma das ações importantes do governo Lula foi seguir "tudo" em termos de política macroeconômica deixada pelo governo anterior. Mas ele insistiu em que o País "não é feito por um homem".

"A nação é construída como uma corrida em que uma equipe entrega a faixa para a outra equipe, para chegar a um resultado melhor", afirmou.

Ao ser questionado se poderia voltar à política, Fernando Henrique disse que pretende continuar a contribuir com a política brasileira por meio da proposição de ideias, mas não como candidato. "Sempre fui favorável à renovação. Nunca ocupei espaço além de certos limites, para deixar renovar. Eu posso ajudar, e vou ajudar, mas não preciso ser candidato", afirmou.

O ex-presidente se mostrou disposto a ampliar o diálogo com o Governo Lula, mas disse que a iniciativa tem de ser tomada por quem está no poder.

Parlamentares

Líderes do PSDB e do PT aproveitaram a sessão para trocar provocações sobre o sucesso da moeda. O líder do PT no Senado, Aloizio Mercadante (SP), defendeu uma conversa frequente entre Lula e FHC. "Quem pode dizer 'vamos juntos' não sou eu, é quem está por cima", respondeu FHC. "Quando estive por cima, eu tentei", acrescentou, referindo-se às tentativas de diálogo com o PT durante seus dois mandatos.

O líder PSDB na Câmara, José Aníbal (SP), reclamou que, apesar de o governo reconhecer a importância do real para a boa avaliação do governo, não tomou nenhuma iniciativa para comemorar o aniversário de criação do plano. Aníbal disse que, assim como o brasileiro esqueceu as altas inflações, o governo ignorou a importância do real. "Enfim, 5150% de inflação em um ano é algo que o Brasil, infelizmente, já esqueceu. Nós até esperamos, que fosse tomada alguma iniciativa, por parte do governo, para a comemoração. Afinal, o governo reconheceu, tanto quanto todo o Brasil, a relevância e a importância desse programa e a centralidade nele para que a economia brasileira tenha os fundamentos que tem hoje. Como nenhuma iniciativa foi tomada, solicitamos esta sessão", disse.