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O governo Jair Bolsonaro começou a entender que o Poder Legislativo é um dos pilares da governabilidade, mas precisa se dar conta de que necessita de votos para aprovar as propostas de interesse no Congresso Nacional sem “aviltar” os seus princípios, afirmou o presidente do PSL e deputado federal, Luciano Bivar (PE).

Segundo o dirigente do partido de Bolsonaro, o governo abriu negociação com partidos da Câmara para garantir votos para a aprovação da reforma da Previdência, tendo o ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, como o interlocutor de conversas com líderes partidários sobre possíveis indicações.

“O governo tem que entender que ele precisa dos votos para fazer as reformas que ele quer sem, com isso, se aviltar”, disse o presidente do PSL à Reuters em entrevista na quarta-feira. “O governo já está entendendo que o Poder Legislativo faz parte da estrutura de governabilidade.”

Bivar reconhece que tanto Bolsonaro quanto os deputados do PSL foram eleitos a partir de um discurso anti-establishment. Mas defende que é necessário entrar no jogo político sem que a bandeira de campanha impeça o governo de fazer articulação política.

“O grande problema na articulação é que nós fomos eleitos por ser contra o sistema. Então a gente tem um certo respeito também a esse movimento”, afirmou Bivar. “Mas nem sempre a regra da política é assim, porque se demoniza muito o político, a articulação, a troca de cargos.” Bivar afirmou não ver problema em partidos indicarem nomes para cargos no governo, mas se disse contra uma eventual “porteira fechada” – prática em que um determinado partido detém uma pasta para nomear do ministro a escalões inferiores. /Reuters