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Os países do Mercosul se reuniram nesta quarta-feira na Argentina, para discutir os planos para agilizar a entrada em vigor do tratado de livre comércio fechado recentemente com a União Europeia (UE) e acelerar a assinatura de novos acordos entre os blocos econômicos.

Os presidentes de Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai se juntaram em Santa Fé, no cinturão de grãos dos Pampas argentinos, menos de um mês depois de o Mercosul ter fechado com a UE acordo comercial. Desenhado durante duas décadas, o acordo marca uma rara vitória do livre comércio em meio ao crescente protecionismo global, embora ainda precise ser ratificado, a princípio pelos Parlamentos nacionais, mas os membros do Mercosul indicaram estar dispostos a buscar um modo para acelerar a implementação.

“Todos somos a favor de que (o acordo) possa ter um ponto de entrada provisória em função da discussão que cada um (dos membros do Mercosul) está tendo diante de seus respectivos Parlamentos”, disse o chanceler argentino, Jorge Faurie.

O ministro de Produção da Argentina, Dante Sica, afirmou que ministros do Comércio buscavam acelerar a implementação do acordo, o que poderia ocorrer de forma interina para cada país assim que parlamentares aprovarem. “Uma vez que todas as questões e protocolos legais estejam resolvidos, a ideia seria que... após ser aprovado pelo Parlamento Europeu, então cada país (do Mercosul) poderia começar a operá-lo assim que seu próprio Congresso desse o aval”, explicou ele.

O acordo entre os dois dos maiores blocos comerciais do mundo foi celebrado por líderes em ambas as regiões, embora tenha levantado preocupações sobre a crescente concorrência entre produtores agrícolas na Europa e setores industriais, como automóveis, na América do Sul.

O presidente brasileiro, Jair Bolsonaro, que ocupa a presidência rotativa do Mercosul, disse nesta quarta-feira que o Brasil irá trabalhar para incluir os setores automotivo e o de açúcar na união aduaneira. “Trabalharemos para incluir finalmente os automóveis e o açúcar na união aduaneira... é injustificável que ainda não haja um entendimento”, disse Bolsonaro. “Atuaremos de igual maneira pelo fim das repetidas prorrogações dos regimes especiais”, acrescentou. “Ou as tarifas são comuns ou não são, não queremos uma união aduaneira pela metade.”

Bolsonaro voltou a defender que nenhum país sul-americano trilhe o caminho da Venezuela e fez um apelo aos argentinos pelo que chamou de “voto responsável” nas eleições majoritárias para presidência em outubro.

O Mercosul agora também está de olho em outros acordos comerciais, incluindo discussões de prazo mais longo para um acordo com os EUA. “O acordo com a UE não é linha de chegada, mas de largada”, disse o presidente argentino, Mauricio Macri, na reunião.

O bloco está em negociações com o bloco EFTA – composto por Islândia, Noruega, Liechtenstein e Suíça – e com o Canadá para alcançar tratados similares. O chanceler argentino disse que o Mercosul poderia chegar a um acordo com o EFTA na segunda metade do ano e com o Canadá no primeiro semestre de 2020. Além de acordos comerciais, o ministro da Fazenda argentino, Nicolás Dujovne, disse considerar “ interessante” a ideia de moeda única no Mercosul.

Projeções

Mas as previsões do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) para economias de América Latina e Caribe não são tão favoráveis. Segundo o BID, a região pode encolher em 2020, se as tensões comerciais entre EUA e China não forem resolvidas, uma vez que as duas maiores economias do mundo são grandes parceiros comerciais da região, que deve crescer apenas 1,1% em 2019, ante taxa de 1,4% prevista em março, disse Eric Parrado, economista-chefe do BID, na reunião anual do banco em Guayaquil, capital financeira do Equador. A previsão se deve ao crescimento menor do que o esperado no primeiro trimestre nas três maiores economias da região: Brasil, México e Argentina.