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Na pista do advogado Nilton Serson, suspeito de ser "lavador" de R$ 78 milhões da Odebrecht, a Polícia Federal chegou a um endereço no centro de São Paulo, a região do "Baixo Augusta". Mas no número 440 da famosa rua Augusta, cantada em verso e prosa nos anos 1960, os agentes encontraram um edifício em obras, cercado por um tapume metalizado de cor roxa, onde se lê "Obras iniciadas. Baixo Augusta Hotel".

O advogado não foi localizado nem em seu endereço residencial nem nos demais endereços comerciais. Os agentes descobriram que ele está fora do País, morando nos Estados Unidos.

Serson teve a prisão temporária decretada pelo juiz Luiz Antonio Bonat, da 13ª Vara Criminal Federal de Curitiba, no âmbito da Operação Carbonara Chimica, fase 63 da Lava Jato, deflagrada nesta quarta, 21.

Foram relacionados a ele ainda os endereços de buscas de seu escritório Nilton Serson Advogados Associados e das empresas Gens Participações e Empreendimentos Ltda., da qual é sócio desde 2004, e Candelária Participações Ltda., sócio desde 2007.

Serson está sob suspeita de ter lavado R$ 78 milhões da Odebrecht por meio de 18 contratos fictícios de "prestação de serviços" para a Braskem, braço petroquímico da empreiteira. Uma apuração interna da Braskem feita após comunicado de contas secretas de Maurício Ferro e Serson à Lava Jato apontou problemas na relação comercial.

A trama teria sido ordenada pelo ex-vice-presidente Jurídico do grupo, Maurício Ferro, que também teve a prisão decretada pelo juiz da Lava Jato.

Cunhado do empresário Marcelo Odebrecht, genro do patriarca do grupo, Emílio, Maurício Ferro foi preso em São Paulo.

Para a Lava Jato, os pagamentos relacionados a Ferro e a Serson estão ligados à corrupção e lavagem de dinheiro relacionados à edição das medidas provisórias (MPs) 470 e 472, em 2009, por meio dos ex-ministros Antônio Palocci e Guido Mantega, no Governo Lula, que concederam o direito de pagamento dos débitos fiscais do imposto sobre produtos industrializados (IPI) com a utilização de prejuízos fiscais de exercícios anteriores.

"O grupo investigado resolveu investir no ramo de legislação. Fez investimento milionário na compra de MPs para ter um retorno bilionário", afirmo o superintendente da PF no Paraná, delegado Luciano Flores.

Palocci fez delação premiada na PF e se livrou da cadeia no final do ano passado, mesmo condenado a 12 anos e dois meses de reclusão no âmbito da Operação Omertà, desdobramento da Lava Jato.

A força-tarefa do Ministério Público Federal pediu a prisão preventiva de Mantega, mas o juiz Bonat decidiu impor ao ex-ministro medida cautelar - monitoramento por meio de tornozeleira eletrônica e bloqueio de R$ 50 milhões de suas contas.

Nos autos da Operação Carbonara Chimica, o agente federal Wiligton Gabriel Pereira anexou breve relatório sobre o endereço da Augusta que seria de Serson.

O policial anotou ao delegado Christian Robert Wurster. "O local encontra-se em obras, com tapumes na parte frontal do imóvel, com faixa indicando 'Obras iniciadas não estacione entrada e saída de caminhões'."

O agente destacou que "foram entrevistados alguns moradores próximos ao imóvel, os quais foram unânimes em informar que o local está em obras faz algum tempo".

Wiligton Gabriel Pereira ilustrou o relatório com fotografias das obras, "as quais verificadas com as constantes no aplicativo google maps, não mostram nenhuma evolução aparente".

Defesas

COM A PALAVRA, O CRIMINALISTA FÁBIO TOFIC SIMANTOB, QUE DEFENDE MANTEGA

O advogado Fábio Tofic Simantob, que defende o ex-ministro Guido Mantega, foi taxativo. "Esta operação é muito importante para a defesa de Guido Mantega porque vai ajudar a provar que ele nunca recebeu um centavo da Odebrecht ou de quem quer que seja."

COM A PALAVRA, O ADVOGADO GUSTAVO BADARÓ, QUE DEFENDE MAURÍCIO FERRO

Nota da defesa de Maurício Ferro

A defesa de Maurício Ferro recebeu com surpresa a notícia da prisão temporária. A decisão não traz nenhum fato novo. Já foi apresentada reposta neste processo, esclarecendo todos os fatos da denuncia. Suas contas no exterior são declaradas desde 2016. Maurício Ferro irá prestar todos os esclarecimentos e confia que sua prisão será revogada pela Justiça.

Gustavo Badaró

Advogado - OAB 124.445/SP.

COM A PALAVRA, A BRASKEM

"A Braskem afirma que tem colaborado e fornecido informações às autoridades competentes como parte do acordo global assinado em dezembro de 2016, que engloba todos os temas relacionados à Operação Lava Jato. A empresa vem fortalecendo seu sistema de conformidade e reitera seu compromisso com a atuação ética, íntegra e transparente."

COM A PALAVRA, A DEFESA DO ADVOGADO NILTON SERSON

A reportagem busca contato com a defesa de Nilton Serson. O espaço está aberto para manifestação.