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O governo de Jair Bolsonaro (PSL) enfrentou nesta quarta-feira, 15, seu primeiro grande protesto nas ruas de mais de 170 cidades contra os cortes na Educação. Enquanto isso, nos EUA, o presidente chamava de “idiotas úteis” e “imbecis” os estudantes que participaram das manifestações.

Ao mesmo tempo em que os protestos avançavam, o ministro da Educação, Abraham Weintraub, iniciava seu discurso no plenário da Câmara dos Deputados falando sobre “ondas de fracasso” nos ensinos fundamental e médio. Com ironias e muito nervosismo, o ministro travava duros embates com os deputados durante audiência no plenário, chegando a afirmar que já trabalhou com carteira assinada e questionando se os parlamentares sabiam do que se tratava. Assim. deu munição para que vários parlamentares pedissem sua demissão.

O ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, até montou uma espécie de tropa de choque para defender o titular da Pasta na Câmara. Em reunião na Casa Civil, Onyx pediu ajuda ao MDB para blindar Weintraub, com receio de que ele fosse atacado não apenas pela oposição, mas também pelo Centrão.

Mas as declarações de Bolsonaro, em Dallas, nos EUA, afirmando que estudantes “são uns idiotas úteis, uns imbecis, que estão sendo usados como massa de manobra de uma minoria espertalhona que compõe o núcleo de muitas universidades federais do Brasil”, deu mais combustível para os protestos, tanto dentro do plenário como nas ruas.

Em várias capitais como São Paulo, Belo Horizonte e Salvador, os atos contra os bloqueios do MEC começaram pela manhã, mas foi na parte da tarde que o movimento ganhou corpo. Além das manifestações, algumas universidades e escolas cancelaram as aulas. Segundo o Sindicato dos Professores de São Paulo (Sinpro-SP), ao menos 32 escolas privadas da capital aderiram à paralisação. A Apeoesp, sindicato dos professores da rede estadual pública de São Paulo, o maior da América Latina, convocou professores a paralisarem, o mesmo foi feito pelos sindicatos da rede paulistana.

Manifestantes que se concentraram na Universidade de São Paulo (USP) pela manhã, se uniram a outros grupos a partir das 14h, em frente ao vão livre do Masp e fecharam a Avenida Paulista rumo a Alesp.

O primeiro protesto contra o governo também lotou ruas em Belo Horizonte, com alunos, professores e servidores da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

No Rio de Janeiro, a região da Candelária ficou lotada, apesar da chuva. Assim como em Brasília e Salvador, com o movimento engrossado por alunos de escolas públicas e particulares. Os argumentos, que inicialmente eram exclusivos sobre educação, também incluíram ações contra a reforma da Previdência. Segundo o Sindicato dos Trabalhadores em Educação do Estado da Bahia (APLB), com o bloqueio de verbas para as universidades, o governo prejudica a educação no Brasil.

As maiores entidades estudantis e sindicais do País, incluindo a União Nacional dos Estudantes (UNE) e a Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE) estiveram presentes.

No Rio Grande do Sul, a Brigada Militar utilizou bombas de gás lacrimogêneo para dispersar manifestantes no campus central da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), em Porto Alegre. A polícia resolveu intervir após estudantes bloquearem uma rua. Não há relatos de pessoas feridas.

Em Brasília, o vice-presidente Hamilton Mourão, tentava contemporizar, negando que os recursos da pasta estejam sendo cortados e garantiu tratar-se de um contingenciamento. Ele também afirmou que o governo tem falhado na comunicação sobre o assunto e que a ida de Weintraub poderia ajudar.

Mensalidades

Em meio às manifestações país afora, os deputados do PSL decidiram nesta quarta-feira apresentar uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) para que estudantes com condições financeiras paguem mensalidade nas universidades públicas, disse à Reuters o presidente do partido, deputado Luciano Bivar (PE).