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BRASÍLIA - Em 2005, o ex-banqueiro Salvatore Cacciola, ex-dono do banco Marka, foi condenado a 13 anos de prisão por crimes contra o sistema financeiro. À época ele estava foragido na Itália. Na desvalorização do real ocorrida em 1999, o Banco Central (BC) teria socorrido o banco Marka e FonteCindam com R$ 1,6 bilhão. O objetivo seria impedir a liquidação das duas instituições para evitar um abalo no sistema financeiro.

Na ocasião, foi instalada uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) no Senado para investigar o caso. Em depoimento à comissão, Francisco Lopes, que presidia o BC à época do socorro financeiro, disse aos parlamentares que o banco obtivera ganhos financeiros na operação de socorro aos dois bancos. Mas negou que o BC tivesse negociado com as duas instituições venda de dólares por uma cotação inferior à do mercado.

Lopes também foi condenado pela Justiça a 10 anos de prisão por peculato (desvio de dinheiro público) e a pagar uma multa de R$ 156 mil.

No relatório final da CPI do Senado, o relator João Alberto Souza (PMDB-MA) afirmou que "o Banco Marka agiu de forma temerária, expondo-se em excesso ao risco cambial. Além disso, o Sr. Salvatore Alberto Cacciola promoveu a saída de divisas contra os interesses nacionais e em prejuízo da sociedade anônima de que era diretor e pela qual deveria zelar por obrigação jurídica".

Em relação ao Banco Central, o relatório afirma que houve dois principais erros: "ao deixar de liquidar o Marka, em virtude da sua insustentável situação patrimonial; outra, por ocasião do convencimento dos demais diretores da Autarquia [BC] de que se fazia necessária a transferência de renda sem lei que respaldasse a ausência das garantias adequadas."

Além de Lopes, outros funcionários do BC também foram condenados pela Justiça. Os diretores Cláudio Mauch e Demóstenes Madureira de Pinho foram condenados a 10 anos de prisão.

A chefe de fiscalização do BC, Tereza Grossi, e o amigo particular de Francisco Lopes, Luiz Augusto Bragança, acusado de ser o intermediário das relações entre o presidente do BC e o banqueiro Cacciola, foram sentenciados respectivamente a seis e cinco anos de prisão, em regime semi-aberto.

(com Agência Brasil)