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Os procuradores do Ministério Público Federal no Rio de Janeiro afirmaram na tarde desta terça-feira, 9, que a multa de cerca de R$ 270 milhões aplicada ao empresário Dan Wolf Messer, réu por evasão de divisas, é a maior da Operação Lava Jato a pessoas físicas. Desse total, R$ 240 milhões já estão com a Justiça e serão ressarcidos aos cofres públicos. Filho de Dario Messer, foragido desde maio de 2018, Dan foi um dos quatro familiares do "doleiro dos doleiros" a fazer delação premiada. A soma das multas chegará a cerca de R$ 370 milhões.

"Os outros R$ 100 milhões incluem outros bens e valores dos outros componentes da família Messer que aderiram a esse acordo", explicou o procurador José Augusto Vagos. Após decisão do juiz Marcelo Bretas, da 7ª Vara Federal Criminal do Rio, a Polícia Federal prendeu na manhã desta terça-feira o operador de Dario Messer, Mário Libman, num apartamento em Ipanema, zona sul da cidade.

Também alvo da operação, o filho dele, Rafael Libman, ainda não foi encontrado. Os procuradores dizem que ele pode estar em São Paulo, onde tem imóveis. Na peça do MPF que pediu a prisão temporária de pai e filho, os procuradores mostram que Rafael tem em seu nome 18 apartamentos no Rio e em São Paulo, supostamente usados para lavar dinheiro de Dario Messer.

A família Libman teria movimentado mais de R$ 31,8 milhões para Dario num período de cinco anos, entre 2011 e 2016, por meio de empresas de fachada. Rafael foi casado com a filha do doleiro, Denise Messer, o que facilitaria o esquema.

Dario. Conhecido como "doleiro dos doleiros", Dario está foragido desde a operação Câmbio, Desligo, de maio de 2018, que revelou a movimentação de recursos ilícitos no Brasil e no exterior por meio de operações dólar-cabo, entregas de dinheiro em espécie, pagamentos de boletos e compra e venda de cheques de comércio. A delação dos doleiros Vinícius Vieira Barreto Claret, o Juca Bala, e Cláudio Fernando Barbosa, o Tony, resultou na operação. Dario Messer era o alvo principal. Atualmente, além de considerado foragido pela Justiça brasileira, ele também tem pedido de prisão expedido no Paraguai.

Todo o esquema, aponta o MPF, está ligado ao ex-governador Sérgio Cabral, preso desde novembro de 2016. "Esse esquema, na verdade, se emaranhava num esquema muito maior de lavagem de dinheiro que foi desvendada por meio de alguns doleiros que atuavam para o governador Sérgio Cabral", afirmou o procurador Almir Teubl. "Vista essa teia de emaranhado de ilícitos cometidos, se viu que existia um centro dessa teia, que era o Dario Messer. Por isso foi considerado o doleiro dos doleiros."

Os procuradores não comentam se têm indícios de onde Dario poderia estar. Ao fechar acordo de delação premiada, os parentes são obrigados a contar para o Ministério Público qualquer contato que tenham com o doleiro foragido.