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Por Matt Spetalnick

MANAMA (Reuters) - O governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, lançou um pacote econômico de 50 bilhões de dólares para a promoção da paz entre Israel e palestinos nesta terça-feira, dizendo que um programa de investimentos para os palestinos era uma pré-condição para encerrar o conflito que dura décadas. 

O assessor e genro de Trump, Jared Kushner, abriu uma reunião internacional de dois dias no Barein para angariar apoio para o plano, que obteve o desdém dos palestinos e de outros líderes do mundo árabe embora aliados regionais dos Estados Unidos, como a Arábia Saudita, o apoiem de maneira discreta. 

"Podemos transformar essa região, que hoje é uma vítima de conflitos do passado, em um modelo de comércio e avanços por todo o mundo", disse Kushner no evento, ao qual compareceram os diretores do Fundo Monetário Internacional (FMI) e do Banco Mundial. 

O presidente palestino, Mahmoud Abbas, cuja Autoridade Palestina exerce o domínio limitado sobre a Cisjordânia ocupada, criticou as perspectivas do pacote: 

"O dinheiro é importante. A economia é importante, mas a solução política é mais importante", disse. 

Os detalhes políticos do plano de paz, que está sendo elaborado há quase dois anos, continuam secretos. Os governos palestino e israelense não compareceram ao evento de lançamento, enquanto vários Estados árabes se afastaram ou enviaram vice-ministros. 

A conferência acontece no Barein, que abriga a Quinta Frota Naval dos Estados Unidos, em meio a um aumento de tensões entre o governo de Teerã de um lado, e de outro Washington e seus aliados muçulmanos sunitas, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos, que compartilham o Irã como inimigo comum com Israel. 

O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, um aliado próximo de Trump, disse que Israel estava aberto à proposta. 

Washington espera que países ricos do Golfo Árabe demonstrem um interesse concreto no pacote, que espera que nações doadores e investidores contribuam com 50 bilhões para os territórios palestinos, Jordânia, Egito e Líbano. 

"Para deixar claro, crescimento econômico e prosperidade para o povo palestino não são possíveis sem uma solução política justa e duradoura para o conflito... uma que garanta a segurança de Israel e respeite a dignidade do povo palestino", disse Kushner. 

"Entretanto, hoje não é sobre as questões políticas. Chegaremos lá na hora certa." 

Não está claro se Trump planeja abandonar a "solução dos dois Estados", que envolve a criação de um Estado palestino independente ao lado de Israel. 

A ONU e a maioria dos países apoiam a solução de dois Estados, que sustenta todos os planos de paz há décadas, mas a equipe de Trump se recusa consistentemente a se comprometer com ela.