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PARIS (Reuters) - Um assessor de segurança recentemente demitido pelo presidente francês Emmanuel Macron, num escândalo que abalou o governo em meados deste ano, tornou-se novamente alvo de questionamentos devido a seu trabalho como consultor.

A presidência confirmou nesta quinta-feira ter escrito a Alexandre Benalla nos últimos dias demandando mais detalhes sobre suas viagens de negócios para diversos países africanos e alertando-o a não afirmar ter qualquer ligação com o governo francês.

O escândalo Benalla marcou um ponto de virada na presidência e na popularidade de Macron, a partir do qual ele tem encontrado dificuldades em se recuperar, à medida que outros problemas começaram a se acumular, entre eles passeatas e manifestações contra o governo promovidas pelos chamados “coletes amarelos”.

O caso veio à tona em julho, após a aparição de um vídeo em que Benalla agride fisicamente um manifestante no 1º de maio. Macron demitiu o assessor, mas ainda assim foi acusado por opositores de agir tarde demais e de maneira inadequada.

O chefe de gabinete de Macron, Patrick Strzoda, solicitou ao ex-assessor de segurança que forneça “toda informação relevante” sobre seu trabalho de consultor, de acordo com trechos de uma carta publicada pelo jornal Le Monde.

Ele também pediu a Benalla que aderisse “estritamente ao protocolo sobre sigilo... ligado a suas antigas responsabilidades”. O gabinete do presidente confirmou o teor da carta.

Benalla fez uma viagem ao Chad muitas semanas antes de uma visita de Macron ao país, entre 22 e 23 de dezembro, o que levantou suspeitas sobre se ainda possui ligações com o presidente.

(Por Jean-Baptiste Vey e Sarah White)