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Por Aislinn Laing

SANTIAGO (Reuters) - Michelle Bachelet, ex-presidente do Chile e hoje alta comissária da Organização das Nações Unidas para Direitos Humanos, negou alegações do empresário brasileiro Léo Pinheiro, investigado pela Lava Jato, que disse ter pago 141 mil dólares para cobrir dívidas adquiridas na campanha presidencial dela em 2013. 

Bachelet, que é do Partido Socialista do Chile e governou entre 2006 e 2010 e de 2014 a 2018, negou as acusações reportadas na segunda-feira pela Folha de S.Paulo. A reportagem diz que Léo Pinheiro teria dito a procuradores como parte de um acordo de delação premiada que sua empreiteira, a OAS, teria pago dinheiro após sugestão do ex-presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva. 

"Minha verdade é a mesma de sempre, eu nunca tive envolvimento com a OAS", disse Bachelet ao canal de televisão 24 Horas, em Genebra. 

Lula cumpre pena de 12 anos de prisão por recebimento de propinas em conexão com escândalo, que envolveu pagamentos e favorecimentos políticos em contratos com estatais, incluindo a Petrobras. 

O advogado de Lula Cristiano Zanin Martins, disse à Reuters que seu cliente não recomendou tais pagamentos e que as acusações são parte de uma "estratégia" para perseguir Lula "politicamente". 

"A versão de Léo Pinheiro é negada por um declaração entregue no dia 7 de fevereiro de 2017 por sua própria empresa - a OAS - que disse que 'nenhum contrato ou doação foi feita a ex-presidentes da República, nem a institutos ou fundações ligadas a elas", disse. 

Dois outros presidentes brasileiros são implicados no escândalo, assim como dois presidentes do Peru.

A Folha citou mensagens entre procuradores que trabalham no caso de Pinheiro em um relatório que afirma que ele havia dito que a OAS deu dinheiro à campanha de Bachelet para assegurar um consórcio no qual estava envolvida para reter um contrato para construir uma ponte no sul do Chile. 

Em sua resposta na terça-feira, Bachelet ressaltou o fato de que Pinheiro havia falhado em mencionar suas acusações a um procurador chileno que investiga o potencial envolvimento de empresas e políticos chilenos no escândalo continental. 

Ela também notou que o contrato da ponte foi concedido não por sua administração, mas pelo governo do atual presidente chileno, Sebastián Piñera. 

Pinheiro foi condenado a 16 anos de prisão por seu papel no escândalo, mas foi libertado após três anos mais tarde após sua delação ser homologada pelo Supremo Tribunal Federal. 

O procurador chefe do Chile, Jorge Abbot, disse em nota que esperaria confirmação formal das acusações de Pinheiro vindas de procuradores brasileiros antes de tomar qualquer tipo de ação. 

"Quem quer que seja que esteja implicado nesse depoimento, ninguém está acima da lei", disse.