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(Reuters) - A oposição venezuelana aumentou a pressão contra o presidente Nicolás Maduro depois que o líder do Congresso, Juan Guaidó, se autodeclarou presidente interino do país com o apoio dos Estados Unidos e de grande parte da América Latina.

Abaixo, são listados os apoios dos adversários.

 

MADURO

* O principal líder das Forças Armadas da Venezuela não deu nenhum sinal de que deixará o lado de Maduro. O ministro da Defesa, Vladimir Padrino, reiterou seu apoio em publicação no Twitter na quarta-feira, dizendo que as Forças Armadas da Venezuela não reconhecem nenhum presidente autodeclarado.

* A Suprema Corte, dominada por partidários de Maduro, tem permanecido com o líder socialista, determinando no início desta semana que todas as ações tomadas pelo Congresso, liderado por Guaidó, são nulas e inválidas.

* A Rússia descreveu Maduro como o presidente legítimo da Venezuela e acusou os Estados Unidos de tentarem usurpar o poder no país, advertindo Washington contra qualquer intervenção militar.

* O presidente da Turquia, Tayyip Erdogan, disse que Ancara está do lado de Maduro, pedindo que ele “mantenha a cabeça erguida”, segundo porta-voz presidencial.

* A China expressou apoio a Maduro, dizendo se opor a interferências externas na Venezuela e apoiar esforços para proteger sua independência e estabilidade.

* A petroleira estatal venezuelana PDVSA, responsável pela maior parte das receitas de exportação do país, apoiou Maduro. “Nós não temos nenhum outro presidente”, disse o presidente da PDVSA e ministro do Petróleo, Manuel Quevedo, um militar de carreira.

* Alguns governos de esquerda da região, incluindo Cuba e Bolívia, continuam a apoiar Maduro. O México, onde o político de esquerda Andrés Manuel López Obrador assumiu a Presidência no ano passado, abandonou a política de oposição a Maduro adotada pelo governo anterior e disse que seguirá uma política de não-intervenção.

* Um grupo de venezuelanos “chavistas”, incluindo gangues armadas em áreas urbanas mais pobres, permanece fiel ao pedido do falecido líder Hugo Chávez de apoiar Maduro em qualquer circunstância.

 

GUAIDÓ

* Os Estados Unidos reconheceram Guaidó pouco depois que ele se declarou presidente, dizendo que usarão seus “poderes econômicos e diplomáticos” para restaurar a democracia na Venezuela.

* Diversos governos de direita da América Latina, incluindo Brasil, Colômbia, e Argentina também reconheceram Guaidó.

* A Comissão Europeia pediu novas eleições, mas se recusou a reconhecer explicitamente Guaidó como presidente. Em comunicado, a União Europeia pediu que autoridades respeitem os “direitos civis, liberdade e segurança” do líder da oposição e permitam que os venezuelanos determinem livremente o seu futuro.

* O presidente da França, Emmanuel Macron, elogiou a coragem dos venezuelanos que protestam pela liberdade e chamou de ilegal a vitória de Maduro em eleição de 2018.

* Um porta-voz da primeira-ministra britânica, Theresa May, disse que a eleição de Maduro não foi nem livre, nem justa e expressou apoio a Guaidó como líder da Assembleia Nacional.

* O governo alemão disse que o Congresso da Venezuela tem um “papel especial” a desempenhar para garantir o “futuro livre” do país.

* Há sinais de que o apoio à oposição está se expandindo para além das tradicionais classes média e alta. Diversos protestos contra Maduro foram realizados em bairros da classe operária e em favelas nesta semana.

* Alguns militares de baixo escalão têm expressado insatisfação com o governo. Na segunda-feira, o governo disse ter reprimido uma revolta militar depois que um grupo de oficiais roubou armas, sequestrou militares e exigiu a saída de Maduro.

(Por Brian Ellsworth e Luc Cohen)