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Por James Pomfret e Clare Jim

HONG KONG (Reuters) - A polícia de Hong Kong disparou balas de borracha e lançou gás lacrimogêneo contra manifestantes que arremessavam garrafas de plástico, nesta quarta-feira, quando protestos contra um projeto de lei de extradição que permitiria que pessoas sejam enviadas à China continental para julgamento se tornaram violentos.

Dezenas de milhares de manifestantes se reuniram pacificamente diante da legislatura da cidade sob controle chinês antes de os ânimos se acirrarem e alguns manifestantes agrediram policiais com guarda-chuvas.

A polícia os orientou a recuar, dizendo: "Usaremos a força".

Ambulâncias foram às pressas à área dos protestos à medida que o pânico tomou conta da multidão, e muitas pessoas tentavam fugir do gás lacrimogêneo, segundo uma testemunha da Reuters. Mais de 10 pessoas ficaram feridas nos confrontos, noticiou a Cable TV.

A polícia usou spray de pimenta, gás lacrimogêneo e cassetetes para forçar a multidão a recuar, e alguns indivíduos foram perseguidos. Algumas lojas do IFC, um dos edifícios mais altos de Hong Kong, baixaram as portas de aço.

A Civil Human Rights Front, entidade que organizou um protesto no domingo que estimou ter reunido mais de 1 milhão de pessoas nas ruas para protestar contra o projeto de lei, acusou a polícia de recorrer a uma violência desnecessária.

Os manifestantes, na maioria jovens vestidos de preto, montaram barricadas para se prepararem para uma ocupação longa na área, relembrando as manifestações pró-democracia "Occupy" que paralisaram a ex-colônia britânica em 2014.

A violência havia abrandado no início da noite local, mas dezenas de milhares ainda obstruíam as ruas e os arredores da via Lung Wo, uma grande artéria no sentido leste-oeste que fica próxima dos escritórios da executiva-chefe de Hong Kong, Carrie Lam.

No domingo, os opositores do projeto de lei realizaram a maior manifestação política na cidade desde que o Reino Unido devolveu Hong Kong à China mediante a fórmula "um país, dois sistemas" garantindo sua autonomia, o que inclui liberdade de reunião e de imprensa e um Judiciário independente. No entanto, muitos acusam Pequim de interferir ostensivamente desde então.

O projeto de lei proposto provocou amplo repúdio em casa e no exterior, e até críticas raras de juízes, da comunidade empresarial de Hong Kong, de algumas figuras pró-establishment e de vários governos estrangeiros e câmaras de comércio.

(Reportagem de Clare Jim, James Pomfret, Greg Torode, Jessie Pang, Twinnie Siu, Jennifer Hughes, Felix Tam, Vimvam Tong, Thomas Peter, e Joyce Zhou; Reportagem adicional de Ben Blanchard e Gao Liangping, em Pequim)