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Por Ingrid Melander e Gavin Jones

MADRI/ROMA (Reuters) - O primeiro-ministro italiano, Giuseppe Conte, disse nesta quinta-feira que seis países da União Europeia concordaram em receber cerca de 150 imigrantes de um navio de resgate que foi impedido de atracar na Itália, solucionando o mais recente conflito sobre imigração do Mar Mediterrâneo para a Europa.

Os imigrantes estavam em um limbo desde que a embarcação os recolheu no Mar Mediterrâneo no início de agosto, e Matteo Salvini, ministro do Interior de extrema-direita italiano que adotou uma postura rígida com a chegada de refugiados desde que entrou no governo, em junho de 2018, se recusou a permitir que desembarcassem.

O navio, que se chama Open Arms e é operado por uma entidade humanitária espanhola homônima, estava nas águas territoriais italianas nesta quinta-feira, um dia depois de um tribunal administrativo de Roma lhe dar permissão de entrada, suplantando a proibição imposta por Salvini.

Salvini, líder do partido Liga, que forma parte da coalizão de governo, emitiu uma ordem de emergência para impedir o Open Arms de aportar na ilha italiana de Lampedusa – mas a ministra da Defesa, que é do Movimento 5-Estrelas, parceiro da Liga, se recusou a chancelá-la.

Confrontando abertamente o líder da Liga, que vem ditando a política imigratória da Itália até agora, Elisabetta Trenta disse que desafiar o tribunal é ilegal e que "a política não pode perder sua humanidade".

A Liga e o anti-establishment 5-Estrelas já estavam em conflito aberto desde a semana passada, quando Salvini disse que a aliança se tornou inviável e pediu eleições.

Em uma carta aberta para Salvini, Conte disse que os imigrantes seriam recebidos por Portugal, França, Alemanha, Romênia, Espanha e Luxemburgo.