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Depois de dois anos de negociações, a Acon Investments - fundo norte-americano de investimentos - anunciou ontem a conclusão da compra da rede sergipana de supermercados G. Barbosa . A aquisição tinha sido anteriormente anunciada em 31 de dezembro de 2004 pela holandesa Royal Ahold , antiga proprietária da rede, mas os termos da operação não haviam sido divulgados. A divulgação oficial da aquisição, e o início do controle da operação pelos norte-americanos, ocorreram ontem em Aracaju (SE), na presença do presidente do G. Barbosa, Gerard Scheij, que mais uma vez não revelou o valor da venda. No entanto, segundo informações de mercado, o negócio girou ao redor de R$ 300 milhões. Scheij, que permanece no cargo, disse que o G.Barbosa tem projetos de expansão no País."Com o apoio dos novos acionistas, a rede dará início a um ambicioso programa de investimentos, que inclui a remodelagem das lojas existentes e a abertura de novas filiais, contribuindo para o crescimento da economia local e para a criação de novos postos de trabalho", destacou Scheij.Já o diretor de Investimentos da ACON, Andre Bhatia, disse que a Fundo está satisfeito com a aquisição do G. Barbosa. "É a sétima maior rede de supermercados do Brasil, uma empresa sólida e com muitas possibilidades de crescimento. A união de nosso capital e experiência no setor varejista de alimentos com a administração competente do G Barbosa será a chave para darmos continuidade ao sucesso da empresa no futuro", declarou Bhatia, informando que a atual administração do G. Barbosa continuará à frente da empresa. O diretor da ACON disse ainda que o fundo foi a escolha certa para o G. Barbosa, já que ela tem um nome confiável no mercado e profunda experiência no setor varejista de alimentos.Para adquirir G. Barbosa, a ACON fez parcerias, entre outros, com a FMO e a DEG, bancos de desenvolvimento europeus com investimentos em vários setores nos países em desenvolvimento. Não é por acaso que a ACON patrocinou alguns dos mais bem-sucedidos investimentos do setor varejista da América Latina. Por intermédio da Newbridge Andean Partners , L.P., empresa por ela administrada, o Fundo possui uma participação controladora na Carulla Vivero S.A. , a segunda maior empresa varejista de alimentos da Colômbia, com um faturamento anual de cerca de U$700 milhões. Em 2004, a ACON também adquiriu uma participação significativa na Fybeca, rede líder de farmácias do Equador, com faturamento de U$173 milhões e mais de 150 lojas nacionais.A ACON Investments é um fundo de investimentos, sediada em Washington, D.C., EUA, que administra aproximadamente US$ 725 milhões.Fundada em 1996, a ACON administra fundos de investimentos nos Estados Unidos, Europa e América Latina. Entre suas atividades, a ACON é afiliada da Texas Pacific Group , um dos maiores fundos de investimento do mundo.A ACON segue uma estratégia de investimentos baseada em características específicas, ao focar indústrias ou empresas cujo desenvolvimento se encontre em pontos-chave de inflexão, e busca essas oportunidades em parceria com equipes de administração estabelecidas. A ACON tem escritórios em Washington e em Madri, Espanha.A rede G. Barbosa foi fundada em julho de 1955 pelos irmãos Gentil e Noel Barbosa e há 50 anos é referência de sucesso no varejo do Nordeste do Brasil. Em dezembro de 2001, G. Barbosa foi adquirida pela holandesa Royal Ahold. Atualmente, a cadeia supermercadista opera 32 hipermercados e supermercados em Sergipe e na Bahia, tem 5.800 funcionários e gera receitas anuais de aproximadamente R$ 1 bilhão. Além disso, o G. Barbosa administra seu próprio cartão de crédito, com mais de meio milhão de cartões. As nove lojas na Bahia estão distribuídas em Salvador, Feira de Santana, Alagoinhas, Esplanada, Ribeira do Pombal e Paulo Afonso.Saída do BrasilCom a transação concretizada, a holandesa Ahold completa seu programa de desinvestimento brasileiro. O desinteresse pelo País foi iniciado com a venda, em março do ano passado, da rede brasileira de supermercados Bompreço para o grupo norte-americano Wal-Mart . O Bompreço, cuja rede somava 119 supermercados e hipermercados, foi vendido por US$ 300 milhões.A Ahold divulgou que a saída do País faz parte de sua estratégia para otimizar o seu portfólio e fortalecer a sua posição financeira através da redução de dívidas. A empresa também vendeu suas operações em outros países da América Latina, como o Chile e a Argentina, para abater o pesado endividamento.