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Serviços como transferência bancária, pagamento de contas e contratação de microcrédito poderão ser oferecidos por bancas de jornal e similares a partir do mês que vem.

A possibilidade chega ao segmento através da distribuidora Total Publicações e da Nexxera, especializada em serviços para o setor financeiro. Batizado como Banca E-Fácil, o projeto da dupla demandará R$ 100 milhões em desenvolvimento e implementação de software, treinamento e divulgação.

Para o diretor do E-Fácil (responsável pela plataforma que suportará os serviços), Charles Machado, há potencial para a cadeia se tornar “a segunda maior rede bancária do Brasil”, ultrapassando as casas lotéricas. Além de serviços financeiros, poderá ser oferecida a venda de ingressos, de passagens e de planos de telefonia.

Segundo Machado, 500 pontos de venda já estão negociando adesão ao programa. A meta é alcançar 2 mil até o fim do ano. São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Santa Catarina e Bahia estão sendo os primeiros estados de celebração das parcerias.

Diretor comercial da Total Distribuidora, Osmar Lara estima que existam no País cerca de 13 mil bancas de jornais e pontos de venda alternativos, como revistarias ou charutarias (mais populares que o modelo de “lata” em regiões como a Sul).

“Com o jornaleiro aderindo e realizando serviços bancários, vamos atrair mais pessoas para a banca e, assim, vender mais revistas por conta do fluxo”, afirma o executivo da Total. A empresa é a distribuidora de publicações do grupo Abril.

Segundo Lara, o retorno da empresa de logística com a empreitada será indireto e relacionado à possibilidade de cross-sell. Já os jornaleiros que aderirem receberão parcela da taxa de conveniência atrelada aos serviços.

O projeto também inclui a implementação de softwares de gestão (ou ERPs) nas bancas que participarem da iniciativa. “Em São Paulo, cerca de 30% das bancas já contam com um ERP, mas apenas as grandes. Já no Brasil, a média [de pontos com o software] é 10%”, afirmou Osmar Lara.

“Com esse sistema, teremos informações de horários e quantidades dos produtos vendidos”, sinalizou ele. Tais informações poderão ser monetizadas pela Nexxera, proprietária do ERP e fornecedora de serviços de inteligência de mercado baseados em grandes volumes de dados.

De origem catarinense, a Nexxera também é responsável pela ligação das bancas com o sistema dos bancos, uma vez que está integrada a mais de 70 players do setor financeiro, além de empresas de utilities e telecomunicações.

Segurança

Por questões de segurança, as bancas de jornal não devem efetuar transações com dinheiro vivo. “Para não deixar o jornaleiro exposto, os pagamentos serão feitos via cartão de débito ou crédito”, explica Lara, da Total Publicações.

O ponto de venda participante também será obrigado a realizar um investimento em hardware, caso não possua computador. O consórcio estuda a possibilidade de, em um futuro próximo, oferecer preços especiais para interessados através de acordo com uma produtora de computadores.

Presidente do Sindicato dos Jornaleiros do Estado de São Paulo (Sindjorsp), José Antônio Mantovani sinalizou que o projeto pode acelerar a formalização de bancas de jornal.

“A banca que hoje é pessoa física terá que se tornar microempreendedor individual (MEI) ou abrir empresa no Simples para poder operar os serviços”. Mantovani ainda afirmou que o valor da taxa paga aos jornaleiros decidirá se a participação na iniciativa valerá ou não a pena. “Esse valor que vai definir o sucesso do projeto”, argumentou.

Das cerca de 13 mil bancas de jornal e similares existentes no Brasil, cerca de 5 mil se encontram em São Paulo. A capital do estado soma 3,5 mil.