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São Paulo - A crise econômica e o crescimento do comércio eletrônico no Brasil causaram um "boom" na procura por cupons de desconto nos últimos anos. Quem tem se favorecido da situação são os sites que reúnem tíquetes promocionais. O crescimento foi tanto, que a empresa Cuponomia decidiu internacionalizar a operação.

Recentemente a companhia - que no ano passado gerou uma receita de R$ 300 milhões em vendas de cupons para seus parceiros - começou a operar no México, Chile e na Colômbia. De acordo com o CEO da Cuponomia, Antônio Jorge Miranda, o plano de expandir para o exterior estava no radar da empresa desde sua fundação, em 2012. O momento atual, no entanto, favoreceu a decisão de iniciar a empreitada.

"Decidimos fazer agora porque acreditamos que já estamos estabilizados no Brasil e com uma segurança maior em nossos negócios", diz Miranda. Outro fator que influenciou a decisão de entrar nesses mercados foi o fato de o e-commerce nesses três países ainda estar atrasado em comparação com o Brasil, o que representa um imenso potencial de crescimento em curto prazo.

O baixo investimento necessário para iniciar as operações foi outro aspecto decisivo para que o empresário tomasse a decisão de dar esse passo. Segundo ele, para cada um dos países o aporte inicial foi de cerca de R$ 200 mil, que foi convertido no desenvolvimento do site, servidores, na equipe de produção de conteúdos e na prospecção de novas parcerias. "O investimento, no entanto, será recorrente e mais focado no operacional", diz Miranda.

Um dos fatores que diminuiu o valor gasto pela empresa foi não ter a necessidade de abrir escritórios próprios nos locais. "Essa é uma das vantagens do nosso negócio. Para ter um espaço virtual você não precisa estar fisicamente no lugar", afirma ele ao DCI.

Até o momento, os três sites não trouxeram lucro para a empresa, mas, para o CEO da Cuponomia, até o final deste ano eles devem começar a operar no azul. "Apesar disso, eles ainda serão muito menores do que o site do Brasil. Eles serão o que éramos três anos atrás. Por isso, vemos um potencial muito grande de crescimento", afirma o empresário.

Expansão do setor

Outro site que tem se favorecido do cenário atual é o Busca Descontos, fundado em 2010 no Brasil. Segundo o diretor-geral da empresa, Juliano Motta, dois fatores têm influenciado o crescimento da procura dos brasileiros por cupons de desconto: a crise econômica e o forte crescimento do e-commerce no País.

"Há duas vertentes de crescimento. Cresce em função do aumento do comércio eletrônico, e também pela crise, já que as pessoas buscam economizar o máximo possível", afirma Motta. De acordo com ele, desde 2010 o setor de cupons de desconto teve um crescimento expressivo. "Temos dados de que o setor dobrou de tamanho de 2010 até 2015", afirmou o executivo.

O site Save Me, do grupo Buscapé Company - que faz um trabalho de curadoria de cupons de desconto - também tem se favorecido com a recessão. De acordo com o sócio-fundador e diretor da empresa, Guilherme Wroclawski, no primeiro trimestre a companhia teve um crescimento de cerca de 25% no faturamento, e uma expansão de 36% na audiência do site, na comparação interanual. "A curva do mercado de cupons já era ascendente. Com a crise o crescimento se intensificou", afirma.

Essa expansão em meio à recessão também foi sentida pela Cuponomia, que teve uma expansão de cerca de 20% no primeiro trimestre deste ano, em comparação com o mesmo período do ano passado. Em 2015, esse valor foi ainda maior. Segundo o CEO da empresa, o faturamento dobrou de tamanho no ano passado, em relação a 2014. Apesar do forte crescimento que o segmento tem apresentado nos últimos anos, em comparação com países como os Estados Unidos (EUA) o mercado consumidor brasileiro ainda está muito atrasado - em se tratando do costume de utilizar cupons de desconto.

"O consumidor norte-americano tem há muitos anos esse hábito. Antes da internet, eles cortavam os cupons dos jornais e trocavam nas lojas", diz Motta. "No Brasil, esse costume ainda é muito recente", completa. O CEO da Cuponomia, Miranda, tem uma percepção semelhante do mercado nacional. "Em termos de maturação do mercado, estamos uns 10 anos atrasados em relação aos EUA", diz.

Perspectivas

Mesmo assim, os três executivos enxergam com otimismo o futuro do segmento de cupons de desconto no Brasil. "Estamos em um momento interessante. Em números atrasados em relação aos EUA, mas nosso mercado de cupons está se igualando em termos de qualidade. A cadeia está mais madura, desde o consumidor até o varejista", diz Wroclawski.