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São Paulo - Em um cenário de alta concorrência o McDonald's, que por muitos anos reinou sozinho no universo dos fast-food no Brasil, enfrenta o desafio de manter a relevância da marca em um mercado muito pulverizado. Com investimentos que vão da inovação no atendimento até ampliação do cardápio, o plano é atender bem todos os gostos, e bolsos.

"O Brasil está recebendo diferentes competidores. Concorrência sempre é concorrência. Às vezes me perguntam se uma pizzaria ou um carrinho de cachorro quente é uma concorrência do McDonald's. Sim, são. Todos eles têm um conceito de compartilhamento do estômago. Então, estar se reinventando a todo momento é essencial para se diferenciar", diz o presidente do McDonald's Brasil, Paulo Camargo.

Pressionada com a cada vez mais acirrada disputa por clientes no ramo de alimentação rápida, o McDonald's Brasil apresentou um decréscimo de 0,2 pontos percentuais (pp) do market share no Brasil entre 2014 e 2016, mantendo sua presença de mercado em 7%, segundo a consultoria Euromonitor International. O faturamento, porém, cresceu R$ 624 milhões - passando de R$ 5,2 bilhões para 5,8 bilhões. Embora mantenha a liderança, os números da rede no País são aquém dos avanços da segunda colocada do setor no Brasil: o Burger King viu alta de 68% nas vendas, passando de R$ 2 bilhões em 2014, para R$ 3,5 bilhões em 2016, e elevando a presença de mercado de 2,9% para 4,2% em igual período. (veja mais no gráfico.)

Os números para este ano também são ascendentes. A Arcos Dorados, franqueadora master da rede norte-americana, divulgou ontem (09) que o faturamento da Divisão Brasil obteve alta de 14,7% no segundo trimestre deste ano, em relação ao mesmo período de 2016. Além disso, o crescimento no volume transacionado e a alta no tíquete médio foram determinantes para um avanço de 8,3% das vendas nas mesmas lojas no trimestre. "Vivemos um momento muito complicado e delicado no Brasil. Acho que nunca tivemos uma situação em termos econômicos e políticos tão complexa. Nós sabemos que isso será resolvido. Não de forma ingênua, mas otimista. O que estamos fazendo para enfrentar [a crise] é trabalhar em diferentes frentes: oferecendo um cardápio com clássicos, como o Big Mac, com preços promocionados em diferentes dias da semana. E, além desse segmento low end, temos inovado na parte premium, como os sanduíches da linha Signature. Recentemente, tivemos uma novidade no mercado, que era um sanduíche com guacamole, que fizemos questão de trazer do México; não era o abacate brasileiro", diz.

Renovação da marca

Reinaugurada em 27 de julho, a unidade do McDonald's na avenida Henrique Schaumann, uma das mais movimentadas de São Paulo, transformou-se em um restaurante-conceito, que além da nova fachada, ganhou um serviço de autoatendimento por meio de totens, tablets e mesas interativas com jogos, e espaço kids.

"Temos um restaurante grande, que apresenta elementos dessa nova experiência. Flexibilizamos a forma de atender, apresentando soluções para que os clientes possam fazer o pedido diretamente do celular ou em um totem de atendimento, sem a interação de um funcionário. Estamos apresentando soluções também para as pessoas que querem montar os sanduíches, com opções diferentes, permitindo com que o cliente controle sua experiência."

Segundo o executivo, o novo conceito automatizado não será determinante no número de contratações e demissões da rede. Atualmente, a unidade emprega 172 pessoas, entre gerentes e atendentes. Ao todo, o McDonald's Brasil detém cerca de 33 mil funcionários no País. "Quando contratamos funcionários, fazemos questão de que eles representem os clientes. Não contratamos só jovens. Reconhecemos, inclusive, que podemos ajudar em um processo em que o morador de rua precisa de um emprego", diz Camargo. A estimativa do McDonald's é replicar o novo modelo nas demais operações da rede em três anos.