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São Paulo - Em tempos de recessão, rever os custos fixos das empresas vira palavra de ordem. Com a promessa de diminuir gastos, redes que oferecem refeições coletivas querem aproveitar a crise e oferecer preços até 20% menores para terceirizar a cozinha das companhias que buscam reduzir custos.

"Por um lado, oferecer alimentação coletiva própria é uma saída mais em conta que os gastos com vale refeição, por outro, os custos fixos com funcionários e possibilidade de multa pressionam as empresas a ter padrões de higiene e limpeza", diz o professor de economia da Unesp Bauru, Sérgio Loiolla.

A alternativa de terceirizar a cozinha para uma empresa de alimentação, diz o acadêmico, pode reduzir em até 20% os gastos com folha de pagamentos dos colaboradores, e no preço dos insumos comprados para fazer a refeição. "As empresas especializadas em refeições coletivas negociam melhor com os fornecedores, mas vale lembrar que esse tipo de medida só é viável a empresas que possuem uma cozinha adequada para oferecer os pratos."

De olho nesse mercado, e contando que a crise estimule novos negócios, a LC Restaurantes espera aumentar em 20% seu faturamento este ano. De acordo com a diretora de novos negócios da empresa, Dâmaris de Luca, a crise abriu oportunidades. "Só de nota fiscal com fornecedores, questões trabalhistas e administração de mão de obra a empresa consegue reduzir em 20% o custo com as refeições".

De acordo com a executiva, as compras em grande volume também ajudam nos gastos com alimentos. "Temos ainda um operador logístico que faz a administração da matéria-prima, negociamos com as grandes marcas de alimentos, temos uma legislação e seguimos as exigências da Anvisa."

Apesar de ver potencial na crise, Dâmaris comenta que sentiu um pouco da crise ano passado, já que houve uma queda no número de refeições em alguns clientes, motivada tanto por fechamento de empresas quanto redução de horas-extra e turnos menores.

Mesmo com o lado negativo, foi a mesma crise que impulsionou que empresas que já possuíam contrato de alimentação terceirizada a rever as negociações e abrir novas licitações "Foi uma oportunidade de ganhar clientes de outros concorrentes", aponta. Em 2015, a empresa conseguiu 16 novos contratos e perdeu 1. Neste ano, a empresa já conseguiu abrir cinco novas plantas.

Custo dos alimentos

Outro fator sentido pela LC no ano passado foi a pressão por redução de custo das refeições. "Para não mexer na qualidade fazemos alteração nas carnes e quantidade", explica. Questionada sobre custos dos alimentos, a executiva contou que, até o ano passado, ainda foi possível conter o aumento do custo renegociando os contratos com os fornecedores para congelar os preços. "Mas no início do ano já sentimos um aumento de 10% de commodities e hortifrúti", aponta.

Neste ano a empresa aumentou a aposta no serviço de hotelaria marítima. A empresa que já está presente em 10 plataformas em Macaé e espera 3 novas plataformas em 2016.

No local, além de realizar o serviço de refeições, a empresa também presta outros serviços como arrumação de camarote e lavanderia.

Contrato público

Com forte atuação no setor público, a Risotolândia também espera bons resultados este ano. A empresa, que atua com alimentação escolar no Paraná e Santa Catarina, além de alimentação penitenciária no Paraná pretende, em três anos, elevar o número de negócios entre 25% e 30%. "É hora de inovar, de buscar novas oportunidades no mercado nacional e vislumbrar mais crescimento", conta o diretor-superintendente, Carlos Humberto de Souza.

O executivo explica ainda que, este ano, a empresa passou esse ano por uma reformulação da marca, com a união das empresas Risotolândia Serviços de Alimentação - focada no setor público - com a Risa, que atende empresas privadas. Agora, as duas possuem o mesmo nome, Risotolândia, e expande o leque de possibilidades, tanto no setor público, quanto no privado.