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São Paulo - A desaceleração econômica no País parece não assustar o varejo de construção, que registrou um crescimento de 5% no volume de vendas em junho. Impulsionados pelas reformas e pequenos reparos, os home centers de material de construção - como Telhanorte, Leroy Merlin, Dicico, entre outros - comemoram os resultados no último mês e o setor já atrai novos concorrentes.

Em junho deste ano, a chilena Sodimac, subsidiária Grupo Falabella, abriu sua primeira loja no País, com investimentos de R$ 100 milhões. Por atuarem com a venda de itens de reparo para o lar e para reformas em geral, essas empresas levam a melhor por ser tratarem de compras programadas. "O prazo médio do brasileiro para se preparar para uma reforma varia entre 12 e 18 meses", disse o diretor-geral da Telhanorte, Manuel Corrêa. Segundo ele, em São Paulo não há um movimento de construção como e visto no interior. "Hoje, mais da metade das vendas estão relacionadas às reformas".

Para o executivo, quem entra nesse propósito de melhoria de sua casa geralmente já conta com metade do valor necessário para a obra. "Por não ser uma compra de impulso, é normal o consumidor que vai reformar ter metade do recurso necessário para a obra. Se ele estima gastar R$ 20 mil, 50% desse valor ele deverá ter guardado", disse Corrêa.

Mercado aquecido

A opinião é compartilhada pelo presidente da Associação Nacional dos Comerciantes de Material de Construção (Anamaco), Cláudio Conz. "Temos cerca de 56 milhões de residências que se deterioram com o tempo, e que demandam reparos a cada cinco ou 10 anos. O consumidor volta a sua atenção á manutenção do seu patrimônio."

No mês de junho, a entidade apurou que as vendas no varejo de material de construção cresceram 6% frente ao mês de maio. Quando a comparação é anual (junho 2014 versus junho 2015), esse desempenho foi 10% maior. "As empresas de médio porte apresentaram 13% de aumento no volume de vendas e os home centers 5%. Só as operações de pequeno porte é que tiveram incremento de 2% no período", disse.

Conz enfatizou que não existe crise no setor de material de construção e que ela é específica em segmentos como o da construção civil e o de infraestrutura. "A retomada [dessas áreas] começará no segundo semestre. A construção civil, por exemplo, está se adequando a nova realidade, tanto que tem construtora lançando apartamentos de 18 metros quadrados", explicou Conz.

O desempenho mensal do segmento, segundo indicadores da Anamaco, tem mostrado instabilidade, mas isso não fez a entidade rever o crescimento previsto para o ano. "Nossa expectativa se mantém entre 3% e 4%", concluiu Conz.

Atendimento

Queda nas vendas também não é uma realidade para a Telhanorte. "A nossa estimativa para o ano está entre 8% e 10%", disse Manuel Corrêa. A projeção positiva da rede deve-se ao investimento que a marca tem feito no treinamento de seus funcionários e na logística de entrega. "O consumidor chega ao ponto de venda cheio de dúvidas. Então, ter um bom atendimento e uma equipe qualificada para entender as demandas é muito importante".

Segundo o executivo, no setor de elétrica da Telhanorte, 20% dos vendedores são especialistas. "Eles vão indicar a melhor solução para o cliente", disse ele. A empresa diz investir pesado em treinamento - até estuda a criação de uma plataforma on-line de aulas - de sua equipe e conta com o apoio dos fornecedores para qualificar os mesmos.

"Cada tipo de produto temos dois fornecedores parceiros para treinar a equipe de vendas", enfatizou. Outro processo reforçado foi a logística, tanto de entrega dos produtos ao consumidor quanto no abastecimento das lojas. "Desde 2010 investimos R$ 43 milhões em plataforma logística. Com isso melhoramos a eficiência na entrega e na diminuição da ruptura no ponto de venda", explicou. A ruptura na rede gira em torno de 1,5%.

Otimismo

Na concorrente francesa Leroy Merlin, as projeções também estão positivas. No começo do ano, a rede afirmou que investirá cerca de R$ 500 milhões este ano. Até 2019, o montante será cerca de R$ 2 bilhões só no Brasil. "2015 é um divisor de águas para a Leroy Merlin no País, pois somente nesse período cinco novas lojas se integrarão à rede. No primeiro semestre, a unidade de Fortaleza [CE] foi inaugurada, sendo a primeira na região Nordeste. Para o segundo semestre, nossa rede inaugurará em Campo Grande [MS], São Bernardo do Campo [SP], Jaguaré [SP] e Tamboré [SP]", informou a varejista, em nota.

A Dicico também mantém o ritmo de aberturas de novas unidades, mas apostou no sistema de franchising para isso. A rede inaugurou ontem a sua terceira unidade franqueada em Capivari, no interior de São Paulo. A marca, que pertence ao grupo Construdecor, tem atualmente 57 lojas distribuídas no Estado de São Paulo.