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São Paulo - São Paulo

A Rua Augusta, que antes era vista como um local de boêmia na capital paulista, tem ganhado status de excelente local para investimento. Um número crescente de varejistas tem visto o espaço com potencial de alta rentabilidade.

"Durante muito tempo a Rua Augusta foi vista como decadente, mas com o avanço da construção civil na região e com o processo de revitalização que o centro de São Paulo tem vivido, existe uma crescente procura por pontos comerciais no local", explicou ao DCI o coordenador do núcleo de estudos e negócios do varejo da ESPM, Ricardo Pastore.

Para o especialista, o movimento de revitalização é global, ainda mais com a crescente tendência de shoppings a céu aberto, os open malls. "Outro ponto é que a Augusta cruza com as principais ruas de comércio dos Jardins, o que atrai um número significativo de consumidores."

Entre os locais está o reduto de luxo, a Oscar Freire, que nos últimos anos tem passado por mudanças com a chegada de marcas ditas populares, como a rede de vestuário Riachuelo, que antes tinha como foco os shopping centers. Outro ponto ressaltado por Pastore foi que o movimento de melhoria, tanto na imagem da região da Rua Augusta, quanto na questão de segurança e na preocupação do poder público, tem atraído também um número crescente de franquias interessadas em abrir unidades no local. "Com tudo isso, eu acredito que a região voltará a ser um símbolo de comércio de qualidade em São Paulo", disse Pastore, que tem participado de diversos processos de revitalização em conjunto às prefeituras locais em outros estados do Brasil.

Inovação

Recém-chegada à Rua Augusta, a Shér - especializada na venda de artigos para festa -, antes de escolher o local da sua primeira loja, levou em consideração o fluxo de pessoas. "A Augusta todo mundo sabe onde fica", afirmou o gerente de varejo da marca, Evandro Dai Prá. Segundo o executivo, ao acertar o local ideal para a abertura da loja, 50% dos problemas dos empresários estão resolvidos. "Para se ter uma noção, até em qual lado da calçada tem mais sol é motivo de preocupação, uma vez que os pedestres têm por costume andar nas calçados com menos incidência de solar", explicou.

A proximidade das estações de metrô, a facilidade para estacionar e o atendimento personalizado, não devem faltar nos empresários dispostos a investir na Rua Augusta. "Foram dois anos para tirar o projeto da loja do papel. Além do local estratégico, tivemos o cuidado de treinar todos os nossos colaboradores; setorizamos a loja por categorias; temos espaços específicos para produtos sazonais. Isso faz todo a diferença na hora de se diferenciar", disse Dai Prá.

Entraves

O que tem feito com que esse processo de revitalização caminhe ainda de forma lenta na região é a falta de uma associação comercial no bairro. Com isso, haveria a possibilidade de mais ajuda aos empresários, para melhorarem as suas operações. "Teríamos que pensar em uma legislação própria para esses locais, assim como criar uma entidade que conseguisse unir os empresários para trazer segurança e investimentos", disse Pastore. "Mas isso não foi levado adiante."