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O comércio brasileiro fechou o ano passado com cenário ainda complexo, em termos de número de pontos de venda. Entre aberturas e fechamentos, o saldo do setor ficou negativo em até 15 mil lojas, de acordo com dados preliminares da Confederação Nacional do Comércio (CNC).

Os números consolidados de 2017 serão apurados pela entidade no início do mês de fevereiro, mas, segundo o chefe da divisão econômica da CNC, Fabio Bentes, tudo indica que o setor fechou o ano com saldo negativo de entre 10 mil a 15 mil lojas. “De janeiro a outubro do ano passado, 17.306 unidades fecharam as portas no comércio. Por mais que os dados de novembro e dezembro sejam positivos eles não vão anular o resultado visto até agora”, diz.

O desempenho vem após dois anos consecutivos de retração no total de lojas, período em que mais de 200 mil pontos de venda pararam de operar no setor. Apesar dos dados ainda negativos, o saldo do ano passado foi melhor do que o registrado em anos anteriores (fechamento de 105,3 mil lojas em 2016 e de 101,9 mil em 2015), o que, na visão da entidade, é um sinal positivo.

Para Bentes, o resultado sinaliza inclusive para uma perspectiva de recuperação no número de lojas já ao longo deste ano. “Comparado com 2016, quando mais de 105 mil lojas foram fechadas no setor, o saldo de 2017 é bem melhor e cria a expectativa de um resultado positivo para 2018. Estamos esperando aberturas líquidas de entre 30 mil a 40 mil pontos de venda neste ano”, afirma.

Até outubro

Um aspecto que reforça a projeção otimista é o dado de outubro do ano passado, último resultado consolidado pela entidade. De acordo com Bentes, o mês foi o primeiro desde dezembro de 2014 em que o varejo brasileiro registrou mais aberturas do que fechamentos.

O saldo do período, mostra o estudo da CNC, foi de 1.202 lojas abertas. De dezembro de 2014 até setembro do ano passado todos os meses apresentaram saldos negativos, sendo que o ápice ocorreu em janeiro de 2016, quando 14.806 lojas fecharam as portas no varejo. “Em dezembro de 2014 cerca de 2.550 lojas foram abertas e de lá para cá, até setembro de 2017, sempre o saldo ficou no vermelho. Em outubro tivemos pela primeira vez um saldo positivo, o que é um dado extremamente relevante”, resume.

Ainda assim, no acumulado do ano passado até outubro o saldo ficou no negativo, com o fechamento de 17.306 lojas. No período, o segmento que apresentou o maior número de pontos de venda que pararam de operar foi o de hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo.

O levantamento da CNC mostra que o ramo, que possui a maior participação no faturamento do setor varejista, registrou uma redução de 4,85 mil lojas nos primeiros dez meses de 2017. Na sequência ficou o segmento de lojas de material de construção, com fechamento de 3,1 mil pontos de venda.

Dos dez setores analisados no estudo, o único que apresentava saldo positivo, até outubro do ano passado, era o de artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos, de perfumaria e cosméticos, com uma abertura líquida de 303 unidades. Em termos de regiões do País, a que apresentou o maior número de fechamentos no intervalo foi o Sudeste (-10,2 mil), seguida pelo Nordeste (-3,0 mil) e pelo Sul (-1,6 mil).

Em relação ao volume de vendas do setor, a CNC acredita que o varejo ampliado tenha fechado o ano com um crescimento de 3,9%. Para 2018, a previsão da entidade é de uma expansão mais robusta, com um crescimento, também no conceito ampliado, de 5,1%.