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(Texto atualizado em 27/11 para acréscimo de informações. A Ânima Educação esclarece que encerrou suas captações na modalidade 100% a distância (EaD), focando em um modelo híbrido que combina ensino a distância com aulas presenciais. O formato híbrido, que oferece em torno de 30% da carga horária em modo presencial, observa todas as normas legais e atende as diretrizes já editadas pelo MEC.)

Com resultados aquém das próprias expectativas em 2017 e no primeiro semestre de 2018, a Anima Educação aposta em uma expansão rumo ao interior (tanto organicamente quanto através de aquisições) para realizar uma recomposição de margens.

Em 2019, o grupo educacional de capital aberto deve inaugurar nove unidades de ensino superior, incluindo seis campi da São Judas no estado de São Paulo. Entre eles estará uma unidade em Limeira (SP), ou a primeira incursão do grupo rumo ao interior do estado.

“Já ‘fechamos’ a região metropolitana e agora damos o primeiro passo para o interior”, afirmou o vice-presidente de expansão do grupo Átila Simões. Estratégia similar valerá para a UNA, consolidada em Minas Gerais e que ganhará, no ano que vem, unidades em Conselheiro Lafaiete (no interior mineiro) e na goiana Itumbiara. Completam os planos de Anima um novo campus da UniSociesc em Florianópolis (SC).

Dessa forma, o grupo pretende iniciar 2020 com 46 campi captando alunos (ao fim de setembro, eram 102,3 mil os matriculados); desde julho de 2016, a estratégia de crescimento orgânico entregou 14 unidades de ensino superior.

Ao mesmo tempo, aquisições devem seguir como parte fundamental da expansão. Diretor de novos negócios do grupo, Ignacio Dauden não detalhou alvos específicos da companhia, mas admitiu que “tem trabalhado muito” em negócios pontuais e enfrentado certa resistência de proprietários de instituições menores que não aceitam “os preços relativamente deprimidos” praticados neste momento de consolidação do setor.

Em 2018, o grupo foi às compras duas vezes, adquirindo operações em Goiás e em Santa Catarina. De acordo com o CEO do grupo, Marcelo Bueno, o alvo da Anima são marcas regionais que sirvam como “âncoras”, colaborando com o crescimento “em espiral” dentro dos estados onde a empresa já possui atuação.

O sucesso do plano pode ser fundamental para estratégia de recomposição de margens que tem mobilizado o grupo. Durante encontro com investidores realizado ontem (22) em São Paulo, Bueno admitiu que “2017 não agradou”, enquanto os primeiros seis meses de 2018 teriam ficado aquém do esperado pela empresa.

Segundo o CEO, o terceiro trimestre já mostrou indícios de reação, com o Ebitda ajustado do grupo no período se aproximando do registrado um ano antes após quedas de mais de dois pontos percentuais no indicador nos dois primeiros trimestres de 2018.

Bueno também classificou como bem-sucedida a iniciativa de redução das despesas corporativas que, segundo ele, têm “incomodado muito”. Uma reestruturação realizada no terceiro trimestre entregou R$ 35 milhões anuais em redução de custos.

A meta da empresa é trazer as despesas corporativas para 7% do faturamento. “Já trabalhamos [neste nível], então não tem porque não voltar.” No terceiro trimestre, a despesa corporativa somou 8,9% da receita líquida, que bateu R$ 256,2 milhões no período e R$ 798,3 milhões em nove meses. Ainda no acumulado de 2018, a Anima teve resultado líquido de R$ 20,3 milhões após prejuízo de R$ 16,7 milhões entre julho e setembro.

Vale lembrar que neste ano a Anima resolveu encerrar as captações na modalidade à distância (EaD), focando em um modelo híbrido que combine aulas presenciais e remotas mesmo antes da regulamentação do formato pelo governo. Uma das razões para a decisão é se manter longe da guerra de preços. “Já vimos onde isso deu e temos que resistir”, afirmou Bueno.