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Na política agressiva de ganhar novos mercados e ampliar seu leque de serviços no País, a Telefônica passa a atender com evidência o segmento de saúde, que demanda serviços como call center, automação comercial e troca de informações rápidas, que abrangem as áreas de infra-estrutura de voz e dados.

Depois de estudar o mercado, a companhia espanhola resolveu adquirir a brasileira Atrium Telecom, cujo faturamento há dois anos era de R$ 50 milhões e, depois de comprada pelo grupo estrangeiro, de acordo com Ricardo Araújo, diretor executivo comercial da Atrium Telecom, o negócio superou todas as expectativas e a empresa deu um salto em seus resultados financeiros. Este ano, a empresa deve fechar com um faturamento de R$ 510 milhões.

Além da cidade de São Paulo, a Atrium também está presente no Rio de Janeiro, em Porto Alegre, Curitiba, Belo Horizonte, Brasília e Salvador, totalizando mais de 6,5 mil clientes corporativos - de multinacionais, bancos, empresas de tecnologia e Internet a escritórios, editoras, clínicas e o segmento hoteleiro.

"Aliar a atuação da Atrium ao potencial gigante da Telefônica nos permitiu ter hoje uma carteira de clientes expressiva, realizando serviços de outsourcing e call center a redes como o Hospital Albert Einstein, a Unilever e a DHL", comentou o executivo.

Ricardo lembra que a empresa precisou passar por forte reestruturação para absorver a demanda do mercado e atender aos anseios da holding Telefónica.

"Hoje, a companhia pode ser definida como fornecedora e gestora de serviços de telecomunicações, com ação que envolve infra-estrutura para atender serviços de voz e dados, em rede. Fizemos muitos investimentos em sistemas com capacidade de escala. Demos um salto ao usar a parte da Telefônica", declara o executivo, que esteve presente no Saúde Business Fórum, evento que termina hoje na Ilha de Comandatuba, na Bahia, com promoção da IT Mídia.

Novas áreas

A Atrium pretende captar mais clientes da área de saúde, por considerar esse mercado um nicho com uma demanda expressiva. Além disso, a meta é manter o ritmo de crescimento por meio de parcerias com empresas especializadas em tecnologia e ampliar a atuação basicamente no interior paulista.

"Além do segmento de saúde, que demanda serviços como tecnologia voltada ao controle de gastos, serviços de voz e dados instantâneos e contact center, temos o objetivo de atender também ao mercado no interior de São Paulo, em um primeiro momento.

Fizemos um levantamento e vimos o potencial desse mercado na região", afirmou o diretor.

Ele explica que consegue a fidelização do cliente por meio do atendimento contínuo e da troca de equipamentos a cada dois anos. "Hoje, falo sem receio que depois do varejo, que domina o mercado de informática, ocupamos o segmento em segundo lugar", alfineta.

No bolo dos negócios a maior fatia é para a área de serviços, com 42% do faturamento, seguido pelo segmento de call center.

Trajetória

Criada em 1995, a Atrium começou totalmente enfocada na compra de edifícios empresariais para locação, ao perceber a necessidade de modernização em empreendimentos comerciais, com automação predial e novos serviços. Foi quando um grupo de investidores do mercado imobiliário em São Paulo equipou seus edifícios com infra-estrutura de telecomunicações avançada, incluindo fibra óptica.

Na época, esta iniciativa visava apenas suprir as dificuldades de aquisição de linhas telefônicas e facilitar a locação dos imóveis. Inesperadamente, a experiência foi tão bem-sucedida que acabou atraindo a atenção de outros interessados. Novos edifícios foram concebidos com este conceito e o resultado foi acima do esperado. Neste período foi definido o conceito e o modelo de negócio da Atrium bem como a operacionalização nos primeiros sites e clientes.

Em 1999, o serviço de gestão de telecomunicações era um conceito inovador e começou a ser implementado em novos edifícios e sites, não pertencentes à carteira de imóveis dos proprietários da Atrium. Neste ano, foi instalado um Ponto de Presença (POP) na rede e um anel óptico, interligando os demais edifícios sob a gestão da empresa.

Assim, prestação de serviços começou a abranger infra-estruturas de voz, Internet e imagem (videoconferência), totalmente em rede de fibra óptica contigenciado por rádios microondas.

Há sete anos a empresa tinha 40 edifícios sob sua gestão, e o crescimento da Atrium Telecom começou a atrair o interesse de grandes investidores estrangeiros que adquiriram participação acionária, no caso, a Telefônica. Até 2006 a Atrium Telecom possuía 6.623 clientes corporativos, mais de 1 milhão de metros de cabos implantados, 1 bilhão e 600 milhões de minutos comprados por ano, gestão de 481 prédios de alto padrão, gestão de 2000 PABX e o faturamento de R$ 367,5 milhões.

Outras operadoras

Além da Telefônica, outras operadoras de telecomunicações também oferecem serviços de terceirização de infra-estrutura de comunicação.

Na Oi, por exemplo, a área dedicada a esse serviço pretende acrescentar 500 novos pontos até o final de 2007. "A maioria das grandes empresas já contrataram serviços de telecomunicação, por isso, nosso foco está em aprimorar os serviços de clientes que já optaram por nosso serviço", conta Ronaldo Motta, Gerente de Outsourcing da Oi.

Para o próximo ano, a operadora pretende entrar no mercado de tecnologia, oferecendo serviços de voz, dados aliados a aluguel de computadores.