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SÃO PAULO (Reuters) - A Azul vê a demanda doméstica se fortalecendo no segundo semestre, impulsionada pelo segmento corporativo e por agências, disse nesta quinta-feira o presidente do conselho da empresa aérea, David Neeleman.

No segmento internacional, apesar da alta do dólar ante o real, a empresa ainda vê a demanda bastante aquecida e mantém a estimativa benigna para o setor.

"Estamos surpresos de maneira positiva como a demanda internacional tem se mantido firme", disse o vice-presidente de finanças da Azul, Alex Malfitani.

Segundo o executivo, o quadro de alguma recuperação da economia brasileira favorece a manutenção da forte procura por viagens, incluindo internacionais.

Nesse cenário, a empresa prevê que conseguirá manter o repasse do aumento de custos para as tarifas, ao mesmo tempo que trabalha para reduzir os custos e limitar a necessidade de elevação nos preços.

No segundo trimestre, a empresa informou que aumentou em 15,5 por cento o preço médio das tarifas na comparação com um ano antes.

"Com o câmbio e o combustível (em alta), não tem como não aumentar preço", disse à Reuters o diretor presidente da Azul, John Rodgerson, destacando, no entanto, a importância de reduzir os custos. "O consumidor não aguenta pagar mais por tarifas, então temos que trazer máquina mais eficiente."

Neste sentido, a Azul anunciou em julho intenção de compra de 21 aeronaves Embraer 195-E2, aumentando a quantidade de pedidos firmes para 51. A entrega começa no próximo ano. Os novos modelos possuem 136 assentos, 15 por cento acima da geração atual.

Com o consumo de combustível mais eficiente dos modelos E2, a Azul espera operar essas aeronaves com uma redução de 26 por cento no custo por assento e de 14 por cento no custo por viagem em relação à geração atual de E1.

Mais cedo, a Azul reportou seus resultados para o período de abril a junho, com prejuízo líquido de 45 milhões de reais. Ajustado após itens não recorrentes, a empresa reportou lucro ajustado de 283,3 milhões de reais, recorde para a empresa.

Às 14:45, as ações da Azul subiam 4,36 por cento.

 

JOINT VENTURE

Segundo os executivos da empresa, a Azul está conversando com a United Airlines sobre uma joint venture após a conclusão do acordo de céus abertos entre Brasil e Estados Unidos. Mas Neeleman disse que a conclusão de um acordo desse tipo "leva tempo".

Sem determinar prazos, o vice-presidente de finanças da Azul disse que inicialmente é preciso fazer uma negociação comercial para acertar um acordo em relação aos termos da parceria, incluindo itens como governança e compartilhamento de resultados.

Após esse acordo, as empresas levam a proposta para que as autoridades avaliem a parceria e eventual impacto na competitividade do mercado.

"Somando a demanda das duas empresas, não é nada que vá afetar a concentração de mercado no Brasil e nos Estados Unidos", disse Malfitani.

Em relação ao potencial aumento de concorrência após a autorização para que a Nowegian Air opere no Brasil, inicialmente com voos entre o país e a Inglaterra, Rodgerson, disse que a empresa sempre "está preparada para isso".

"Sempre vai ter concorrência. Nós não voamos para esse mercado (Inglaterra), então não tem impacto, mas sempre temos que estar preparados para isso", disse o executivo.

 

(Por Flavia Bohone)