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São Paulo - Presente em 13 países, consultoria americana Berkeley Research Group (BRG) chega ao Brasil e anuncia lançamento oficial no terceiro trimestre de 2017. Em 2016 a companhia iniciou o atendimento no País em um escritório provisório e já conseguiu faturar R$ 3 milhões. A meta agora é quintuplicar o valor para este ano.

Em entrevista exclusiva ao DCI, a gerente geral para a operação da BRG no Brasil, Denise Debiasi, conta que a entrada no País já estava programada, mas afirma que a instabilidade brasileira trouxe novas demandas pelos serviços da empresa. Segundo ela, o faturamento de 2016 já foi atingido no primeiro trimestre deste ano.

"O momento que o Brasil vive exige uma maior prestação de contas para provar aos acionistas que são sérias e não estão envolvidas em casos de corrupção. Isso é uma oportunidade para nós", diz.

Busca de ativos em casos de inadimplência, diligência reputacional de quem quer tirar os ativos financeiros do País e auditoria em processos de construção são algumas das oportunidades citadas pela executiva que devem trazer uma grande demanda para a companhia. Na área da construção, por exemplo, ela conta que assinou recentemente um contrato que chega a R$ 13 milhões. "Claro no período de três a quatro anos, mas mostra a demanda que existe", indica. Para ela, hoje o Brasil é um grande 'canteiro de obras' e ainda demanda muitos projetos de infraestrutura, o que gera oportunidade para a área de auditoria de obras.

Outra oportunidade descrita por ela é a demanda de clientes internacionais - sobretudo quem conhece a marca - que querem entrar no País e quem já possui operação e precisa se certificar da conformidade das atividades da empresa.

Hoje a companhia oferece todos os serviços relacionados a consultoria estratégica global, análise de mercado, operações de fusões e aquisições, investigação e diligência prévia (do inglês, due diligence). Mas a ideia é ampliar o portfólio com outras especialidades já praticadas na sede norte-americana, conforme apareçam novas demandas. "Não temos segurança patrimonial, por exemplo, mas vamos avaliar com o tempo", cita.

No momento, a companhia possui em São Paulo (SP) 10 funcionários contratados e 10 sub-contratados, além de seis profissionais no Rio de Janeiro (RJ). Para conseguir absorver toda a demanda citada, ela destaca que a projeção para 2017 é que a companhia termine o ano com 25 profissionais na capital paulista e 12 no Rio de Janeiro. "Vamos investir US$ 2 milhões no País que serão usados na sede e, sobretudo, em mão de obra. Não colocamos um trainee para atender o cliente. Nosso perfil é diferente", coloca, Denise indicando que não poupará esforços para atrair profissionais gabaritados do mercado. "Estamos trazendo dos Estados Unidos (EUA) um gerente geral para contabilidade forense", exemplifica.

Atualmente a companhia se encontra em um escritório provisório, mas já iniciou a reforma da nova sede que ficará no bairro de Moema em São Paulo (SP). "A mudança está prevista para junho ou julho deste ano", coloca.

Outra questão que será uma grande oportunidade no longo prazo é a retomada dos investimentos com a recuperação do Brasil. "O mundo todo está passando por um momento conturbado. Vemos um rearranjo de todas as forças mundiais e se o Brasil conseguir se reorganizar nos próximos quatro anos vai atrair um grande fluxo de capital", sinaliza. Além disso, ela cita a onda de privatizações que com o tempo devem atrair investimento estrangeiro. "É oportunidade para quem tem capital como os chineses", destaca a executiva. Outros escritórios da BRG na América Latina estão localizadas no Panamá, na Colômbia e no México.