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O reaproveitamento de resíduos das indústrias está cada vez mais em ascensão no País. Agora chegou a vez das cascas de eucalipto virarem matéria-prima para outras indústrias. Esse é o caso da recém-criada Eucabraz Produtos de Eucalipto Ltda.Com um estoque de 100 mil toneladas, a empresa aguarda liberação do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) na primeira quinzena de março para construir a planta, afirma o sócio-proprietário da Eucabraz, Décio Prado."Vamos entrar em operação no final de setembro. Temos uma parceria com a Aracruz Celulose para o fornecimento do produto."Segundo Prado, a finalidade da empresa é o reaproveitamento energético das cascas para a produção de briquetes - cascas prensadas até formarem um bloco sólido - para usar como 'lenha' em padarias e pizzarias.A produção inicial será de 2 mil toneladas/mês, sendo 50% desse volume exportado para a Europa, gerando uma renda de US$ 150 mil/mês. Serão investidos R$ 2,2 milhões na planta e já foram investidos R$ 700 mil em estoque. O empresário espera um aumento de 50% na produção e nas vendas já no primeiro ano.A intenção da Eucabraz era embarcar cascas trituradas, o chamado mulch, para os Estados Unidos, onde é muito utilizado para proteger a grama da neve. "Mas houve restrições, pois eles queriam que as cascas fossem tratadas com brometo de metila, agente proibido pelo Protocolo de Kyoto, do qual aquele país não faz parte. Não queremos agredir o meio ambiente, portanto desistimos dos Estados Unidos e vamos exportar para a Europa."Para o executivo, o continente europeu é um grande mercado, pois os briquetes são muito utilizados nas lareiras durante o inverno. "Há vários produtores por lá, mas também existe mercado para o Brasil."No Brasil, a grande vantagem dos briquetes é ser alternativa energética para as pequenas empresas, uma vez que a energia elétrica, gás e óleo combustível têm custo alto.Outras vantagens desse tipo de produto estão no fato de ser 100% natural. Ele é produzido a partir de eucalipto replantado da Aracruz, o que protege o meio ambiente de novos cortes de árvores para fazer lenha."O produto também gera o dobro de calor da lenha normal, pois possui baixa umidade, somente 10% em relação aos 50% da convencional, em função disso, faz pouca fumaça."ConcorrênciaSegundo o executivo, no Brasil não há muitas empresas que fazem esse tipo de produto, principalmente em função da logística, pois o local de coleta tem que ser próximo ao de produção para evitar perdas em função da leveza do material, o qual pode ser perdido no transporte."Para nós é viável pelas condições de parceria com a Aracruz e porque estamos a 10 quilômetros da fábrica e a 15 quilômetros do porto."Há cerca de dez pequenas empresas instaladas em São Paulo e Paraná, que produzem uma média de 300 toneladas mês, mas elas estão situadas dentro de serrarias, o que facilita o processo."O potencial do Brasil para a produção de briquetes é enorme, mas dependemos da viabilidade do produto."