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Marcado para hoje (08), o leilão dos ativos de telecomunicações da estatal mineira de energia Cemig dará ao vencedor “a melhor rede que existe no País”, conforme avaliação de um ex-mandatário da empresa. Entre 2015 e 2017, cerca de R$ 125 milhões foram aportados na infraestrutura.

“Toda grande operadora teve interesse no ativo, algumas mais e outras menos. Todos os entrantes que não têm rede própria também, porque assim já contariam com uma de porte significativo”, afirmou ao DCI o CEO da empresa de tecnologia da informação Tatic, Sérgio Belisário. O executivo ocupou o posto de diretor executivo da Cemig Telecom por onze anos até 2015.

“Posso afirmar que a rede é a melhor que existe no País”, apontou Belisário, destacando que infraestrutura é “toda redundante”, garantindo alta disponibilidade de serviço. Em 2017, a rede recebeu R$ 40 milhões em melhorias.

O braço de telecomunicações da Cemig possui 6,3 mil quilômetros (km) de cabos ópticos em redes metropolitanas (dentro das cidades) e 11,6 mil km de cabos ópticos de longa distância (ou backbone). A antiga subsidiária atende cerca de 100 cidades em sete estados diferentes.

Para o leilão de hoje, a rede foi dividida em dois lotes, com o primeiro reunindo infraestrutura em Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo, além de contratos e pontos de presença no Nordeste e Centro-Oeste; o preço mínimo era de R$ 335 milhões.

Interessados no lote 1 precisavam fazer oferta pelo lote 2, cujo preço mínimo era R$ 32,4 milhões. No caso deste, estavam reunidos ativos nas regiões metropolitanas de Goiânia (GO), Recife (PE), Salvador (BA) e Fortaleza (CE).

De acordo com Belisário, a rede do lote 2 “é ainda mais moderna” que a do 1. “Ela começou a ser construída há cerca de cinco anos e é toda em fibra óptica, enquanto no lote 1 há um misto de tecnologia óptica com outras mais antigas.”

A capilaridade do lote 1 no Sudeste (sobretudo em Minas Gerais, berço da estatal), contudo, torna o ativo mais atrativo, principalmente para interessados na expansão da banda larga residencial.

Segundo a agência Reuters, 16 grupos estudavam o leilão. Nos últimos meses, Claro e TIM confirmaram interesse, assim como a Vogel Telecom, empresa de infraestrutura de telecom do Pátria Investimentos. Outros fundos (inclusive internacionais) também eram cogitados, bem como operadores de cabos submarinos.

Outra possibilidade era a participação de gestores de torres, como as norte-americanas American Tower e Phoenix Tower. De acordo com o presidente da consultoria Teleco, Eduardo Tude, o movimento estaria em linha com “tendência mundial”. “A torre com acesso em fibra óptica tem mais valor que a torre ‘pura’. Isso [o interesse do setor por ativos do gênero] está acontecendo nos Estados Unidos e pode ocorrer aqui em breve”, sinalizou Tude.

Para Sérgio Belisário, entre as grandes operadoras o negócio “valeria mais a pena para a Vivo, que tem pouca rede onde a Cemig está”, ao contrário da Oi, que possui “uma sobreposição de 100%” com o ativo. Ainda há sobreposição no caso da também mineira Algar, que “teria mais interesse no lote 2”, segundo Belisário. “Mas pode ser que um entrante tenha apetite maior”.

Energia

Com receita líquida de R$ 123 milhões oriundos de 1.173 clientes em 2017, a Cemig Telecom fornece conectividade no atacado para operadoras consolidadas e regionais (os chamados ISPs), além de atender o mercado corporativo, cuja carteira passou de 248 clientes em 2015 para 902 em 2017.

Com lucro líquido de apenas R$ 3,145 milhões ano passado, o braço foi posto à venda no plano de desinvestimento da estatal. “É muito complicado um negócio de telecom sobreviver em uma empresa de energia, porque ele disputa investimentos”, pontua Belisário.

Outras energéticas como Eletronorte, Copel e Celg também atuam no mercado de infraestrutura de telecom. Quando oferecidos ao mercado, os ativos costumam gerar interesse: em 2011, a TIM pagou cerca de 700 milhões de euros para adquirir 5,5 mil km de redes ópticas da AES Atimus, incluindo ativos da antiga Eletropaulo Telecomunicações.