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A taxa básica de juros (Selic) está estável em 6,50% ao ano desde a reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) de 21 de março, mas o custo médio da dívida pública federal só aumentou desde então.

Na passagem de março para abril, o custo médio total (gasto com juros) da dívida acumulado em 12 meses subiu de 9,75% para 9,89% ao ano, e seguiu avançando para 10,04% em maio, 10,31% em junho e 10,49% ao ano em julho, indicou relatório da Secretaria do Tesouro Nacional (STN).

Segundo especialistas consultados pelo DCI, esse aumento se explica principalmente por dois fatores: a exigência dos investidores por prêmios maiores em títulos prefixados (LTNs e NTN-Fs) e de inflação (NTN-Bs) na dívida interna por causa das incertezas fiscais e políticas; e a disparada do dólar motivada por questões internacionais (política monetária nos Estados Unidos e guerra comercial) que influenciam nos custos do endividamento externo.

“O dólar também está subindo por causa do cenário eleitoral indefinido. E até 2020, 2021 não teremos superávit primário nas contas públicas, que é a economia para pagar os juros. O problema não é agora, mas nessa trajetória ascendente da dívida para o médio e longo prazo”, argumenta o economista-chefe da Spinelli Corretora, André Perfeito.

A professora de economia da Fecap Juliana Inhasz prevê alta da Selic na última reunião deste ano do Copom, para 6,75% ou 7% ao ano. “Passada a eleição, um leve aumento da Selic é factível. É o governo precisando se financiar”, diz. “Os credores enxergam que o ambiente é muito arriscado. É um governo que sempre precisa de mais recursos. O mercado cobra mais, e o Tesouro cede.” PÁGINA 3