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O fim do ano, melhor época para aviação, pode não ser tão bom este ano. A dúvida está atrelada à flutuação do dólar e o impacto do preço do petróleo no combustível da aviação. Diante da possibilidade de repassar preços ao consumidor, as aéreas traçam estratégias para garantir continuidade do processo de retomada.

O horizonte nebuloso foi apresentado ontem (27) pela Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear), que representa companhias como Avianca, Azul, Latam e Gol.

De acordo com o presidente da entidade, Eduardo Sanovicz, a situação atual é bastante periclitante. “Entre agosto do ano passado e agosto deste ano o câmbio subiu 25% ao passo que o QAV [querosene para aviação] subiu quase 60% e atingiu o maior valor da história [R$ 3,3 o litro]”, disse ele.

Questionado sobre o repasse para o consumidor no preço da passagem, Sanovicz afirmou que as companhias têm adotado soluções paliativas para aumentar a receita – como taxa auxiliares, serviços e assentos especiais e bagagem.

Ele lembra, porém, que essas medidas podem “esgotar”, e isso evidencia a necessidade de mudanças no que chamou de “coração do problema.”

Com até 45% dos gastos de uma companhia aérea atrelados ao custo com o QAV, o presidente da Abear pretende participar de uma audiência pública junto da Agência Nacional de Petróleo (ANP) que tratará, justamente, de precificação dos combustíveis. “Essa distorção de preços e incidência do ICMS só acontece no Brasil”, resumiu ele, garantindo que a pauta de mudança na tributação para o setor será levada ao próximo governo.

Momento atual

Enquanto o futuro segue incerto, em agosto, o resultado das aéreas se mostrou positivo. A demanda por voos domésticos cresceu 4,40% sobre um ano antes, ao passo que a oferta dentro do País saltou 4,75%. Entre os voos internacionais, a alta na demanda foi de 15,72% na mesma base de comparação, ao passo que a oferta deu salto de 19,54% no período.