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SÃO PAULO - No dia 19 de abril de 1965, a revista Electronics Magazine publicou um artigo do engenheiro americano Gordon Earl Moore que ditou a velocidade dos avanços na capacidade de processamento de dados que vigora até hoje.



Moore, que depois se tornaria co-fundador da Intel, afirmou que o número de transistores em um chip dobraria a cada 18 meses, mantendo ou diminuindo o custo de produção e o espaço ocupado pela peça. A afirmação vai bem além dos transistores. Com esse crescimento enorme no processamento dos chips, a indústria passou a desenvolver novos produtos e serviços, sempre seguindo a lógica de Moore.



Apesar de ser mais conhecida como Lei de Moore, essa teoria não é, de fato, uma lei. "Ele deu um palpite e se verificou. Não é uma lei porque não daria para provar que o avanço ocorreria. Ele era da Intel, então chutou a partir do que observava no dia a dia, e deu certo. Até acho que nem ele imaginou que duraria tanto tempo", afirma Demi Getschko, diretor-presidente do Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto Br (Nic.br).



Os processadores são aplicados numa infinidade de produtos, como smartphones, relógios, automóveis e sistemas de segurança. Nos serviços, grandes avanços surgiram em diversas áreas, desde bancos até hospitais.



Um exemplo claro desse avanço são os celulares. O primeiro, de 1974, tinha 25 cm de comprimento e 7 cm de largura. A bateria durava 20 minutos e o preço era de US$ 4 mil. Hoje, os celulares são muito menores, mais leves, com muito mais funcionalidades e custam muito menos.



Moore está certo até hoje, mas sua teoria pode estar com os dias contados. Primeiro em razão da limitação do silício, principal componente dos chips, em trabalhar com estabilidade. Depois em função da inovação de materiais e da evolução da nanotecnologia, que, em poucos anos, podem vir a deixar a Lei de Moore para trás.



Demi acredita que a teoria será ultrapassada em breve e que outras rupturas para o avanço tecnológico podem acontecer. "Algumas tecnologias têm um limite físico. Na área de circuitos integrados, por exemplo, estamos no limite de duas dimensões, e agora estão fazendo circuitos em três dimensões. O pessoal de pesquisa é muito criativo, pode contornar obstáculos e continuar uma evolução nesse sentido, mas a Lei de Moore, como proposta, deve ter fim em breve".