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Possível suspensão de prorrogações antecipadas pode colocar em xeque o novo ciclo de crescimento do setor ferroviário, pelo menos é o que estima o presidente da entidade que representa a indústria dos trilhos, Vicente Abate. Caso os processos de renovação sigam o calendário, os aportes devem alcançar ao menos R$ 25 bilhões nos próximos 10 anos.

“Os aportes começarão a ser feito imediatamente, a partir da assinatura do contrato. Ele ainda tem o potencial de chegar a R$ 40 bilhões, dependendo de investimentos adicionais”, afirmou o presidente da Associação Brasileira da Indústria Ferroviária (Abifer), Vicente Abate.

As renovações antecipadas previstas para 2018 são referentes a cinco contratos, Rumo Malha Paulista, a Estrada de Ferro Vitória a Minas (EFVM) e a Estrada de Ferro Carajás (EFC) – ambas da Vale – além da Ferrovia Centro-Atlântica (FCA) da VLI e dos trechos da MRS.

Em julho, foram anunciados projetos de construção da Ferrovia de Integração Centro-Oeste (Fico); o Ferroanel de São Paulo e a EF-118. Com todos os projetos previstos, estima-se acréscimo de 4,5 mil km à malha ferroviária. O montante representa alta de aproximadamente 15% da malha atual.

Ainda que exista a possibilidade de um trecho da Rumo Malha Paulista ser devolvida, as projeções são positivas em termos de capacidade. “Mesmo que os 4,5 km deficitários fossem devolvidos e a malha permanecesse com 30 mil km, seriam 30 mil km que poderiam ser plenamente utilizados”, explica Abate.

Isso, de acordo com ele, significa que os 538 milhões de toneladas que podem ser transportados hoje podem atingir 700 milhões de toneladas. “Isso só com as renovações e independente da expansão física, porque vai eliminar a subutilização”, analisa.

O cenário vai de encontro com o Plano Nacional de Logística, que propõe maior participação do modal na matriz do transporte, indo dos 18% atuais para 31% em 2025.

Mesmo no caso das linhas subutilizadas, ele comenta que é possível analisar a viabilidade de realizar short lines, pequenas ferrovias que operam em ramais secundários e têm custo menor. “Pode atender volumes menores de carga”.

Outra opção é estudar a viabilidade de realizar atendimento de passageiros. “Já nos trechos onde nenhuma dessas opções é viável, aí haveria que erradicar”, analisa.

Segundo Abate, atualmente o processo mais adiantado é a prorrogação da Rumo Malha Paulista, que deve entregar a documentação ao Tribunal de Contas da União (TCU) até o início de agosto. No caso das outras concessões, ele acredita que boa parte entregará os documentos ao TCU ainda em 2018 e finalizar as assinaturas no primeiro trimestre de 2019.

Queda de braço

De acordo com ele, o imbróglio que houve na semana passada envolvendo o Estado do Espírito Santo e do Pará contra a prorrogação antecipada da ferrovia Vitória – Minas, pela Vale, no modelo cruzado é um risco para o novo ciclo de crescimento do setor. “Respeitamos os argumentos e não somos contra, mas é evidente que se não for solucionado pode atrapalhar o processo.”

Em sua opinião, a ação civil pública ajuizada pelo governo do estado do Espírito Santo pela impugnação da decisão da União no caso da Vale foi uma surpresa. “Achei que estivesse equalizado com os projetos anunciados em julho. Espero que seja resolvido logo.”