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A procura por serviços de previsão meteorológica cresceu na última década e vários setores da economia como indústria farmacêutica, construção civil, moda, agronegócio e até seguradoras têm investido na aquisição de informações climáticas como base para planejamentos estratégicos para seus negócios. Conforme um levantamento realizado pela Climatempo Meteorologia , o faturamento do setor nos últimos dez anos saltou de US$ 6 milhões para US$ 120 milhões, no ano passado. "Especialmente nos últimos cinco anos, a indústria de forma geral vem solicitando esse tipo de serviço", afirma o diretor-executivo da empresa, Carlos Magno.Hoje, os clientes da área de mídia respondem por 50% do faturamento da Climatempo, que tem investido, principalmente, em seu canal de TV por assinatura, que está no ar em quatro operadoras. Carlos Magno afirma que seus negócios devem crescer 50% este ano.Outra que fornece serviços de análise meteorológica, a Somar Meteorologia , está mais otimista e aposta em um crescimento acima de 100% em 2003. "Trabalhamos com o fornecimento de uma informação valiosa, que pode ajudar na luta contra a concorrência", afirma o meteorologista e sócio da empresa, Marcos Massari. Segundo ele, cerca de 20% do faturamento é reinvestido em novas tecnologias. O custo dos serviços varia muito, mas o acesso às informações via Internet podem sair por R$ 70 reais.Para o diretor-técnico da Somar, Márcio Custódio, quem paga pela informação meteorológica é quem conhece o seu valor agregado. Os maiores clientes da Somar são da área de agronegócios.Quem contrata?A Nova Dutra - concessionária que administra 402 quilômetros da rodovia Presidente Dutra (BR 116) - trabalha, desde 2000, com dados de previsão meteorológica para melhorar o atendimento ao usuário da estrada. "Com essas informações podemos programar a realização de obras e o esquema de manutenção dos veículos de apoio, por exemplo", conta o gerente de planejamento operacional da empresa, Marcelo Rezk.Segundo ele, a previsão do tempo também é um dos fatores considerados nas estimativas de tráfego em finais de semana e feriados. Rezk revela que a Nova Dutra investe R$ 7 mil por mês na obtenção das informações.A AutoBAn, que controla as rodovias Anhanguera e Bandeirantes, possui nove estações de controle ambiental que monitoram a umidade, neblina e chuvas. "O motorista é informado sobre ocorrências ao longo da estrada por meio de painéis eletrônicos", diz o gerente de tráfego, Fábio Abritta. A empresa investiu US$ 26 milhões nas estações de controle e as informações climáticas coletadas entram para um banco para a elaboração de históricos sobre cada trecho.A Porto Seguro Seguros também é usuária desses serviços. "No início, pretendíamos diminuir os prejuízos com sinistros causados pelas enchentes paulistanas", revela o gerente de serviços, Milton Oliveira. Com as previsões, a empresa realiza divulgações especiais para seus clientes sobre a possibilidade de alagamentos em pontos da Grande São Paulo. Hoje, a seguradora também utiliza as informações climáticas para programar a operação de guinchos e do call center de atendimento ao cliente. "É possível deixar os prestadores de serviços de uma determinada região em alerta em caso de temporal, com antecedência", diz.A fabricante de aparelhos de ar-condicionado Springer Carrier compra análises climáticas para determinar as estratégias de vendas. "Nosso garoto propaganda é o Sol e quando ele desaparece precisamos abordar o público com argumentos diferenciados", explica a chefe de marketing, Silvia Martos.Já no ramo da construção civil, a previsão do tempo tem papel fundamental. A Irmãos Thá , do Paraná, contrata o serviço há cinco anos, o que tem facilitado a programação de atividades nos canteiros de obras e reduzido o prazo de entrega. "Também compramos séries históricas sobre as regiões onde pretendemos lançar um empreendimento, pois isso ajuda a determinar qual é a melhor época para iniciar as obras", afirma o gerente de planejamento, Gilberto Kaminski.