Publicado em

Atualizado em

(Matéria alterada para correção de pontuação no 10º parágrafo e nos intertítulos. Segue a íntegra corrigida)

Dona de mais da metade do mercado brasileiro de automação de marketing, a Resultados Digitais está colocando em prática um ambicioso plano de expansão baseado em novos nichos e no ingresso em países da Europa e do sudeste asiático.

A estratégia foi anunciada em evento para 12 mil pessoas, realizado pela empresa em Florianópolis (SC) e encerrado hoje (9). Especializada em pequenas e médias, com clientes espalhados em mais de 20 países e operações no México e Colômbia, a RD (como também é conhecida) se prepara para dar o mesmo passo na Argentina, na Espanha e em Portugal.

CEO da empresa, Eric Santos afirma que mesmo os dois países europeus se encaixam na estratégia de mirar mercados menos maduros. "Sob várias óticas Espanha e Portugal são emergentes. [Em número de empresas que automatizam o marketing] eles estão atrás do Brasil. Lá vemos muito do que já vimos aqui há cinco anos, ou um nível de maturidade muito baixo”, detalha o executivo.

Fundada em 2011, a RD se coloca como principal responsável pelo avanço da automação do marketing digital no mercado doméstico. Segundo dados da consultoria Datanyzer, 24 mil empresas utilizam ferramentas do gênero por aqui; destas, cerca de 12 mil usam a plataforma da startup de origem catarinense.

Em termos absolutos, o mercado nacional de automação de marketing só fica atrás do norte-americano (que já soma 248 mil usuárias) e do britânico (40 mil). Na Espanha, por outro lado, são pouco mais de sete mil as companhias que gerenciam o marketing digital de forma automatizada.

Além da Europa, Santos vê potencial na Ásia. "Olhamos muitas regiões e uma que provavelmente vamos começar testes é o sudeste asiático. Indonésia, Filipinas e Malásia têm características parecidas com a América Latina: um número alto de pequenas e médias totalmente não atendidas", comentou.

 

Nichos

Além da aposta no exterior, a entrada em um novo e relevante nicho de mercado também faz parte dos planos. Após comprar a empresa mineira de software de gestão de relacionamento com cliente (ou CRM) Plug em agosto, a RD anunciou na quarta-feira (7) a entrada no segmento. "CRM é a indústria [de software] que mais cresce no mundo", afirmou o líder da área de parcerias, Henrique Tormena.

Em um primeiro momento, a solução poderá ser utilizada de forma gratuita. Para Eric Santos, o potencial de adoção da ferramenta é alto. "A nossa base de clientes é mais sofisticada que a média das pequenas e médias e mesmo assim 70% deles não tinham CRM". Em um intervalo de 24 horas após o anúncio da solução, cerca de duas mil ativações do novo software foram contabilizadas pela empresa.

Questionado sobre a concorrência, Santos afirmou que vê a inércia e o uso improvisado de planilhas como grandes adversários. Ainda assim, o executivo admite a competição com players nacionais e empresas maiores como a Pipedrive. Já os preços praticados pela gigante Salesforce seriam "proibitivos" para a maioria das brasileiras de pequeno porte.

No entanto, o diagnóstico de Santos é que a entrada da RD no mercado de CRM pode ser favorável a competidores. "Vamos educar o mercado, o que é benéfico [para todo mundo]".

Sem pressa

A RD deve encerrar 2018 com quase 700 funcionários e um crescimento de cerca de 70% no faturamento; no ano passado, a empresa praticamente dobrou de tamanho. Os números credenciam a catarinense a figurar entre as brasileiras com potencial de alcançar a condição de unicórnio – ou as startups que atingem US$ 1 bilhão em valor de mercado.

Um dos cinco fundadores da empresa, Santos diz que não se preocupa com o rótulo. "Não é por isso que eu levanto da cama todos os dias. Nosso objetivo é ser a plataforma líder em soluções de crescimento para médias e pequenas empresas em mercados emergentes. Se chegarmos [a virar um unicórnio], vai ser resultado de um trabalho bem feito". /* O Repórter viajou a Santa Catarina a convite da Resultados Digitais