BRASÍLIA - Técnicas reaplicáveis e que levam desenvolvimento para diversas comunidades do País foram temas de discussões no último dia do Seminário Inovação no Agronegócio, encerrado sexta-feira (20), em Brasília. Minibarragens de contenção de águas das chuvas, central de comercialização de produtos do Cerrado, equipamentos para a extração do babaçu e banco de sementes comunitário foram as experiências de tecnologias sociais apresentadas no encontro.
Para Larissa Barros, secretária executiva da Rede de Tecnologias Sociais (RTS), a troca de informações sobre essas experiências é importante. “É necessária essa conexão entre as tecnologias para que elas sejam replicadas em mais localidade, suprindo as necessidades de cada comunidade”, diz.
O projeto de construção de pequenas barragens para captar água das chuvas começou a ser difundido em 1993 na região central de Minas Gerais. Hoje, já está também no Piauí e no Ceará. O sistema ajuda a elevar a água no solo, propiciando assim plantios como alimentos para a família e aproveitamento do excedente para a comercialização.
Outro ponto enfatizado pelo coordenador do projeto, Luciano Cordoval de Barros, é que a técnica ajuda a eliminar o caminhão-pipa. “Em 2007, começamos experiências com barraginhas artesanais para quintais urbanos”, conta. Nesse caso, são aproveitadas águas de escoamentos de telhados, por exemplo.
A Central de Comercialização de Produtos do Cerrado é mais uma experiência que apóia comunidades no seu desenvolvimento social e econômico. Ela já apóia 30 grupos em seis estados: Minas Gerais, Maranhão, Mato Grosso, Goiás, Tocantins e Mato Grosso do Sul.
De acordo com o coordenador executivo da Central, Luís Roberto Carrazza, a idéia é articular a comercialização entre empreendimentos do Cerrado e promover a inserção dos produtos comunitários no mercado. “A central também funciona como um centro de disseminação de informações e apoio para a melhoria dos processos produtivos, organizacionais e de gestão”, diz.
Babaçu
A tecnologia empregada na atividade de extração do óleo de babaçu também levou avanço para as quebradeiras de coco. A tarefa, antes realizada com uma machadinha, ganhou agilidade e rentabilidade com o uso de maquinários, um kit desenvolvido para aproveitar totalmente o babaçu. Essa tecnologia social gera novos postos de trabalho e garante renda no campo.
O coordenador do Núcleo de Tecnologia Social da Fundação Mussambê, Daniel Walker, explicou a evolução dos maquinários e a transformação causada na comunidade. “Em comunidades que extraíam o óleo usando o pilão, no método artesanal, o trabalho de uma semana rendia aproximadamente 20 litros de óleo. Com menos esforço, a prensa hidráulica permite a extração de 150 litros por dia”, conta.
Sementes
Outra tecnologia social apresentada no seminário foi a experiência do banco de sementes da Paraíba. O banco foi criado para distribuição e armazenagem de sementes, mas além de garantir o material para o plantio, também é responsável pela recuperação de sementes nativas.
Segundo José Rego Neto, membro da comissão de sementes da Articulação do Semi-árido Paraibano (ASA), hoje já são 250 bancos no estado da Paraíba, que atendem cerca de sete mil famílias em 70 municípios.