O bom desempenho do agronegócio já se reflete nos resultados do varejo, com destaque para os setores de eletros e veículos. Para os empresários, depois de duas safras agrícolas frustradas (2004 e 2005), a injeção de um volume expressivo de dinheiro nos setores diretamente ligados à agricultura nos últimos dois anos promove um movimento multiplicador em toda a economia.
No Rio Grande do Sul, por exemplo, as vendas do primeiro quadrimestre foram 2,1% superiores em comparação a igual período de 2006. Elas foram puxadas, principalmente, pelo setor de móveis e eletros. "O bom momento da agricultura está começando a se refletir no comércio e no setor de serviços", analisa Carlos Cardoso, assessor econômico da Federação do Comércio do Estado do Rio Grande do Sul (Fecomércio-RS).
Os veículos também têm sido destaque das vendas no estado. Já o setor de vestuário, que na análise da Fecomércio-RS inclui tecidos, roupas e calçados, apresentou queda de 2,21% nos primeiros quatro meses do ano em relação ao mesmo período de 2006.
Em Ribeirão Preto, interior de São Paulo, este setor encontra-se estável. "De uma maneira geral, as pessoas só têm comprado roupas em caso de necessidade", avalia Francisco Pinghera, presidente da Associação Comercial e Industrial de Ribeirão Preto (Acirp). Na região, o destaque em vendas e inaugurações vem das redes de eletros. "A inauguração de lojas neste segmento tem sido constante", diz Pinghera.
Já segundo Cardoso, no Rio Grande do Sul, as redes de eletros também são as campeãs de inaugurações. Casas Bahia, Ponto Frio, Magazine Luiza, Colombo e Lojas Manlec marcam forte presença no estado.
Inadimplência
Em Londrina, o comércio comemora o crescimento de quase 10% nas vendas no primeiro semestre, em relação ao mesmo período do ano passado.
O presidente da Associação Comercial e Industrial de Londrina (Acil), Rubens Benedito Augusto, considera que um dos mais fortes indicadores dessa retomada é a redução do nível de inadimplência dos consumidores.
De acordo com o levantamento da Acil, de janeiro a junho houve uma queda de quase 30% na lista de maus pagadores. "Os comerciantes já previam uma queda, mas a redução foi maior que o esperado", diz ele.
Somente em junho, quarto mês consecutivo de queda, a redução foi de 40%, na comparação com o mesmo mês do ano passado. Com isso, redes de varejo aproveitam para expandir a atuação. A Casas Bahia inaugurou naquele mês a primeira loja no Município de Pato Branco, no sudoeste paranaense.
Em Ponta Grossa, a rede ampliou a loja localizada no centro da cidade. Com cinco pisos, a filial tem uma área total de quase 3 mil metros quadrados. A cidade é o maior pólo consumidor da região centro-sul, que concentra a mais alta produtividade de soja, trigo e leite do estado. Ao todo, a rede Casas Bahia está com 31 lojas no Paraná. A rede paranaense Mercadomóveis, que tem 90 lojas em território paranaense e no interior de São Paulo, estima que neste ano o crescimento das vendas deve ultrapassar os 40%. "A economia como um todo está favorecendo a expansão do setor", diz o proprietário Márcio Pauliki.
Ele prevê um faturamento de R$ 250 milhões neste ano, e já prepara a instalação de mais lojas no interior. A meta é alcançar a marca de 100 unidades até 2008, quando a rede completa 30 anos. A safra paranaense de grãos superou 20 milhões de toneladas, confirmando o estado como o maior produtor nacional. O estado também é o maior produtor de frangos do País.