15/10/09 - 00:00 > BANCOS

Caixa tem mais R$ 6 bi e pode fazer aquisição


José Guerra
SÃO PAULO - Mesmo depois de receber empréstimo de R$ 6 bilhões do Tesouro Nacional, a Caixa Econômica Federal (CEF) pode adquirir outras instituições financeiras, demonstrando uma estratégia agressiva de crescimento unida a uma diversificação de sua carteira de empréstimos, que terá uma atenção maior à pessoa jurídica.

O vice-presidente de Controle e Risco do banco, Marcos Roberto Vasconcelos, não descarta a hipótese. "Uma coisa não está relacionada com a outra", afirmou, ao ser questionado se, com o aporte do Tesouro Nacional, a instituição teria abandonado os planos de aquisição. A operação consta da Medida Provisória 470, publicada na edição dessa quarta-feira do Diário Oficial da União.

Em julho, a presidente do banco, Maria Fernanda Ramos Coelho, já havia confirmado ao DCI que o banco, por meio da Caixapar, estaria estudando opções de negócios, sem, no entanto, definir se o alvo será estadual ou privado. À época, analistas de mercado acreditavam que o mais simples para a CEF seria negociar com algum dos poucos bancos estaduais restantes: BRB, de Brasília, Banese, do Sergipe, Banrisul, do Rio grande do Sul, ou Banestes, do Espírito Santo. Comenta-se que este último poderia fazer uma oferta pública na Bolsa para capitalizar-se e conseguir um crescimento orgânico a fim de evitar a venda a outra instituição.

Em caso de uma aquisição, a Caixa seria beneficiada por uma das medidas provisórias do governo lançada no ano passado para conter a crise financeira, que autorizava os bancos federais a adquirir instituições financeiras ou participações.

Para o diretor da InterCapital Finanças, Fábio de Carvalho Pinto, faria sentido se a Caixa buscasse adquirir instituições especializadas no middle e upper market, que são médias e grandes empresas, sem abordar as companhias "gigantes". "O setor de middle foi o que mais se ressentiu da escassez de crédito, por isso a CEF deve buscar bancarizar de médios para cima."

Segundo ele, esse seria um nicho com risco reduzido. "São empresas de setores atraentes, como mineração e redes de varejo voltadas para o consumo interno."

Ainda para ele, enquanto os bancos médios especializados nesses segmentos captam via Certificado de Depósito Bancário (CDB), o funding da CEF é via Tesouro. "O banco federal tem uma base de clientes pulverizada e condições de captar bem, o que poderia garantir às empresas condições de empréstimos mais generosas", argumenta.

Ainda para ele, no caso de aquisição, a Caixa deve buscar bancos em que possa tratar "direto com o proprietário", o que excluiria o Pine, por exemplo, que abriu capital. Bancos como o Bonsucesso e o Schahin teriam carteira de consignado atrativa e, no segundo caso, ainda uma parcela de middle. O BVA também seria uma alternativa, por ser bem gerido e ter uma carteira de empresas considerável sem, no entanto, ter Basileia para continuar crescendo. Safra e Citibank, desde o ano passado, entram na categoria de "sempre lembrados" quando se comentam possíveis aquisições no mercado financeiro.

Segundo o vice-presidente da CEF, com esse aporte a instituição irá reforçar seu índice de Basileia e, assim, poder continuar a expandir e a diversificar sua carteira de crédito, principalmente no segmento de empresas."Atualmente temos um índice de Basileia próximo de 16%, porém, com o ritmo de crescimento atual, ao longo 2010 chegaríamos a 11% [índice mínimo exigido pelo Banco Central]" Hoje, continua ele, o banco está com um crescimento expressivo em todos os setores. "Iremos reduzir a participação do crédito imobiliário em nossa carteira, com um crescimento principalmente em pessoa jurídica", analisou.

A perspectiva do banco é de um crescimento de 20% em sua carteira em 2010. "Começamos 2009 com uma projeção de crescimento de 30% no ano, que depois foi revista para 40%. Neste momento, temos uma expansão de 60%, de agosto de 2008 a agosto de 2009, e essa previsão ainda pode subir um pouco. Iniciamos o próximo ano com essa perspectiva, mas poderá ser revista para cima", compara.

Até junho, o saldo de crédito da CEF havia crescido 56% em relação ao mesmo período do ano passado, a um saldo de R$ 99,233 bilhões, com o financiamento à empresas tendo uma expansão de 68% em relação ao primeiro semestre de 2008, a R$ 36,7 bilhões, e o habitacional de 50%, a R$ 55,019 bilhões.

O banco projeta ainda um volume de crédito para pessoa física e jurídica em R$ 60 bilhões em 2009, um crescimento de mais de 30% em relação a 2008, com a carteira empresarial podendo ter expansão de até 100% em relação ao ano passado.

No crédito imobiliário, a instituição deve fechar 2009 com um volume R$ 39 bilhões em novos negócios, ante R$ 23 bilhões do ano passado.



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