20/10/09 - 00:00 > BANCOS

Bradesco avança em saúde com Odontoprev


José Guerra
SÃO PAULO - Com a confirmação da parceria entre Bradesco Saúde e Odontoprev, anunciada ontem, fica claro que os primeiros beneficiados com a negociação deverão ser os acionistas das empresas, que irão receber R$ 327 milhões em distribuição de capital, o equivalente a R$ 13,07 por ação.

Desse montante, R$ 186,9 milhões virão do caixa da OdontoPrev, apenas aos seus acionistas, na forma de dividendos ou redução do capital. Outros R$ 248 milhões serão distribuídos pela Bradesco Dental à nova composição acionária da companhia. Deste aporte, a Bradesco Saúde receberá R$ 107,9 milhões. O caixa da operadora de saúde bucal do grupo Bradesco era de R$ 73,4 milhões em 30 de junho. Foi necessária uma capitalização de caixa de R$ 260,8 milhões para a conclusão do negócio. Após a distribuição aos acionistas, a nova estrutura da Odontoprev terá um caixa líquido de R$ 86,2 milhões.

Assim, os acionistas da Odontoprev passarão a deter 56,5% da companhia, contra 43,5% da Bradesco Saúde.

Além disso, a receita líquida da Odontoprev somada à Bradesco Dental, em 12 meses, até junho de 2009, chegaria a R$ 533,1 milhões e o lucro líquido, a R$ 88,5 milhões. E, segundo executivos das empresas, o valor de mercado da Odontoprev passa de R$ 750 milhões para algo entre R$ 1,3 bilhão e R$ 1,5 bilhão. Com o anúncio do negócio, as ações da Odontoprev subiram mais de 30% ontem, na Bolsa de Valores.

Além disso, o free float da empresa passará de 82% para 49%, devido à entrada da Bradesco Dental no bloco de controle da Odontoprev. O número de ações da companhia passará de 25,5 milhões para 44,3 milhões. Para os executivos, a grande motivação a fazer o acordo foi a possibilidade de crescimento do segmento. Dados da Odontoprev mostram que 41,4 milhões de brasileiros têm plano de saúde, contra 11,3 milhões de indivíduos com plano dentário.

Para o presidente do Bradesco, Luiz Carlos Trabuco Cappi, essa meta é possível pela complementaridade dos parceiros. "A Odontoprev tem a especialização no que faz, enquanto o Bradesco possui logística, capilaridade e força na distribuição."

"Esse acordo entre as duas melhores operadoras de planos odontológicos visa a atender todo o potencial do mercado brasileiro. Acreditamos que com a união de nossas reconhecidas práticas ofereceremos ainda mais acesso e qualidade em saúde bucal no País", completa o diretor presidente da Odontoprev, Randal Luiz Zaneti.

Com a união, Randal permanece na presidência. O Conselho terá três membros da Bradesco Saúde e Trabuco como presidente executivo. Outros três integrantes virão da Odontoprev, e mais dois serão independentes.

Segundo os executivos, as questões estratégicas serão decididas conjuntamente dentro do bloco de controle, enquanto as não qualificadas serão tema para o Conselho.

O acordo depende ainda de autorização da Agência Nacional de Saúde Suplementar e dos órgãos de defesa da concorrência.

Parceria internacional

O Itaú Unibanco pode firmar acordo comercial com o banco português BPI, que analisaria ainda de estabelecer acordo com o Banco de Fomento Angola. O interesse da instituição portuguesa seria desenvolver os serviços prestados nos dois mercados.

"O Banco BPI esclarece que as declarações do presidente da comissão executiva, Fernando Ulrich, à comunicação social, no sentido de que, à semelhança do que acordou recentemente com o seu acionista La Caixa, o BPI está a analisar iniciativas semelhantes quer para o Brasil com o Banco Itáu, quer para Angola com o Banco de Fomento Angola (BFA), traduzem intenções do BPI, em análise, com o objetivo de desenvolver o serviço prestado aos seus clientes naquelas localizações geográficas", anunciou o banco, em comunicado enviado ao órgão regulador luso Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM). Dessa forma, a instituição confirma a notícia publicada pelo periódico português Diário Econômico que teria como base declarações do próprio Ulrich, que teria dito que o "BPI quer estender parcerias comerciais a Angola e Brasil".

No entanto, ele esclareceu que "não existem quaisquer negociações em curso, designadamente com as instituições referidas, Banco Itaú e BFA".



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