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Microcamp quer lançar curso de TI "popular"


Cynara EscobarDaniel Popov
SÃO PAULO - Com o objetivo de continuar a crescer no País e atrair novos franqueados, a Microcamp prevê aumentar o número de escolas este ano em dez unidades, totalizando 170 unidades em todo o Brasil. Além disso, a escola de informática e idiomas, que apenas em janeiro viu seu número de matrículas crescer 30%, analisa a entrada em um novo nicho de mercado: cursos de Tecnologia da Informação (TI) a preços populares, esperando atrair não somente os curiosos, mas também os empresários interessados no assunto.
Segundo o presidente da rede Microcamp, Eloy Tuffi, a ideia é trabalhar com a faixa de preço em torno de R$ 150 e, com isso, conseguir parcerias para ministrar os cursos.
Além disso, Tuffi também confirmou a criação da segunda escola de idiomas nos Estados Unidos e o foco, naquele país, em cursos de Inglês para estrangeiros, principalmente para brasileiros e para argentinos.
Com negócios em diversas áreas, como turismo e pecuária, Tuffi é um otimista com relação ao momento do Brasil. "O Brasil é a bola da vez. Não adianta mais investir nos Estados Unidos, na Europa. O Brasil é um país onde tudo tem de ser feito: na área de saúde, na educação, na área financeira, em segurança. Então, hoje o Brasil está sendo descoberto de novo. Eu acredito que nós, brasileiros, temos de aproveitar essa oportunidade e não deixar a peteca cair. Nós, da Microcamp, vamos continuar a investir no Brasil", diz o empresário.
O executivo contou os planos de sua companhia para os próximos anos em entrevista ao programa "Panorama do Brasil", veiculado pela emissora TVB e comandado pelo jornalista Roberto Müller. Participaram da entrevista a diretora de Redação do DCI, Márcia Raposo, e Milton Paes, da rádio Nova Brasil FM. Confira a seguir os principais trechos da entrevista.
Roberto Müller: Você tem escolas de informática e de idiomas no Brasil e nos Estados Unidos. Que idiomas são ensinados lá?
Eloy Tuffi: Montamos a primeira na Flórida, depois que eu tive experiência com Portugal, Espanha e Argentina, e agora colocaremos a segunda escola nos EUA em Miami. A grande surpresa é que nos Estados Unidos o pessoal está mais preocupado em falar inglês do que em ter conhecimento em informática. O grande foco em Miami e na Flórida é o estrangeiro: brasileiro, cubano, porto-riquenho e mexicano. Eles se preocupam realmente com o ramo de informática, mas também querem muito falar inglês. Então, para nossa surpresa, estamos ensinando inglês na Flórida.
Milton Paes: A base da Microcamp começou em Campinas. Hoje você tem um modelo de negócio próprio, com unidades próprias e também tem a área de franquias. O que a gente percebe nos concorrentes é que eles diminuíram o número de unidades próprias e investiram pesado em franquias. Hoje, quantas unidades são próprias e quantas são franqueadas da Microcamp? Mais uma coisa: muitas empresas estão investindo nas Regiões Norte e Nordeste; você também está com esse foco?
Eloy Tuffi: Como vocês sabem, o Brasil é a bola da vez. Não adianta mais investir nos Estados Unidos, na Europa. O Brasil é um país onde tudo tem de ser feito, na área de saúde, na educação, na área financeira, em segurança. Então, hoje o Brasil está sendo descoberto de novo. Eu acredito que nós, brasileiros, temos de aproveitar essa oportunidade e não deixar a peteca cair. Vamos continuar a investir no Brasil. Eu abri quatro filiais no nordeste, em Recife, e estou tentando abrir uma em Salvador. A dificuldade que eu tenho é colocar pessoas boas, porque não adianta você montar uma empresa se não tiver gente forte. Salvador é uma grande dificuldade minha. Agora, em Porto Alegre, por exemplo, foi fácil, já estamos com a segunda escola naquela cidade. Em Florianópolis também já temos uma, e estamos querendo expandir. Quando a gente cria uma filial, uma unidade própria, os franqueados querem dar continuidade. Essa é a grande função. Meus concorrentes, a função deles é vender franquias, então eles têm de vender. Eu não tenho essa necessidade. Eu vendo as minhas franquias para onde não há Microcamp, para as cidades menores e para as capitais. Neste momento, estou abrindo uma em Niterói. No Rio de Janeiro nós temos várias, como em Copacabana, por exemplo. E vamos aumentar: pretendo implantar mais 50 escolas próprias, e vou vender mais 50 franquias. Acredito que em três anos eu chegarei a estes números.
Milton Paes: Quantas unidades existem hoje?
Eloy Tuffi: Hoje tenho 160 no total, das quais 60 são próprias, e 100, franqueadas. Temos unidades em Santos, São Vicente, Praia Grande, uma franquia no Guarujá. O projeto era ir de 50 para 100 unidades. Abri 10 escolas novas no ano que passou, e neste ano pretendo abrir mais 10.
Márcia Raposo: Qual é a lógica da sua diversificação de negócios? Você tem escola de idiomas, de informática, restaurantes, agência de turismo. Gostaria de saber qual é a complementaridade disso? É uma aposta, ou você obtém mais receita de um segmento em uma época do ano e mais de outro segmento em outro período?
Eloy Tuffi: Eu acho que sou um empreendedor nato e por isso vou até montar um curso em faculdades, pois muitas vezes as pessoas têm talento para ser empresário e não vão por que têm medo. Meus 32 anos de Microcamp me deram uma boa base para fazer qualquer negócio, mas não sou dono da verdade; comprei uma fazenda para criar gado por acreditar que a fazenda daria lucro, e todo dinheiro que eu ganhava na Microcamp eu colocava na fazenda. Então, eu fiz algumas coisas erradas, como criar avestruz. Hoje, essa ave está em decadência total. Entretanto, eu investi, tenho um grande plantel de avestruz African Black, mas a carne de avestruz não emplacou. Não sei por quê. Eu gosto, é um filé mignon sem gordura. Eu errei nesse ponto, mas acertei em outro, que é o sapato de couro de avestruz. Hoje eu vendo o couro para os empresários da Franca, que fabricam o sapato de avestruz, e com isso eles não têm mais a necessidade de comprar lá na Europa - e o principal é o Rubbles, de que só soube por uma pesquisa: todos nós temos de pesquisar antes de fazer qualquer negócio, afinal hoje você pode entrar na internet e pesquisar. Quando eu montei a fazenda, disseram que eu tinha de fazer vários mata-burros. Tão logo entrei na internet, vi o que era um mata-burro. Atualmente é só pesquisar na internet. Então foi assim, e eu descobri que o gado Red Angus era a melhor carne do mundo e a melhor raça, ela é escocesa e com qualidade de carne. Em São Paulo não havia essa raça, só no Rio Grande do Sul, por isso o pessoal na época falava que o sul tinha uma carne maravilhosa, e é verdade, porque eles criam Red Angus lá. E todo mundo fala também que o gado da Argentina é maravilhoso, e hoje restaurantes de São Paulo, por exemplo, usam carne argentina, e aí tentam justificar dizendo que lá é frio e o clima é melhor para a carne; não é nada disso, o que importa é a raça. Eu descobri o segredo dos argentinos e dos gaúchos: é a raça de gado chamada Red Angus, que tem carnes excelentes. Hoje eu tenho o plantel desta raça na minha fazenda, com o qual forneço para alguns restaurantes de São Paulo, e tenho o meu restaurante, que fica em Campinas, no interior de São Paulo, com a melhor carne do mundo.
Roberto Müller: Você começou fazendo escolas de Informática, aproveitando a onda da informática quando ninguém tinha conhecimento de como usar, e isso originou a necessidade de aprender inglês, e os jovens começaram a aprender idiomas. Primeiro Informática, depois idiomas. E um belo dia você comprou uma fazenda e resolveu criar gado e avestruz e abriu dois restaurantes, por enquanto, para vender a carne, e também possui uma agência de turismo. Por que atuar em ramos tão distintos?
Eloy Tuffi: Eu sou amigo do Elói [D'Ávila], da agência de turismo Flytour, de quem sou grande fã, e eu tenho a necessidade de viajar muito e gasto muito dinheiro com isso, pois preciso vender a fazenda para eventos e essas coisas; e eu vendo casamentos também, pois muita gente quer casar lá na minha fazenda. Então tive a necessidade de ter uma agência em Campinas que faz essa tramitação, não só para a fazenda, como também para os Estados Unidos, na Disney, e para a Europa. E, sendo muito amigo do Elói, a gente montou essa agência.
Márcia Raposo: Os empresários estão em uma fase, agora, de tomar uma série de decisões. Estamos em um ano de eleições majoritárias, além dos eventos da Copa do Mundo. Como é este ano para empresários, do ponto de vista dos negócios a longo prazo? Você com certeza já está pensando no que fazer depois das eleições e da Copa, porque você é um empreendedor. Como você vê o Brasil daqui a dois ou três anos, com um governo novo, você sente que será um bom momento para os negócios?
Eloy Tuffi: Este ano é uma maravilha, o ano de eleição é uma delícia para o empresário, pois não acontece nada e acontece tudo. Nós não somos muito atacados, os políticos necessitam da nossa ajuda, então a coisa fica boa; somos bem tratados, porque é época de eleição, todo mundo sabe como é. Todo mundo sabe que a crise de que todos falam está na nossa cabeça. O Lula falou uma coisa que é verdade: isso é muito pessimismo, esse tipo de pensamento só atrai coisas ruins. Então, nós, empresários brasileiros, fomos acostumados a nadar na crise; não pode acontecer nada no mundo que todos já param de comprar as coisas, como está acontecendo na Europa. Na minha opinião, em tempos de crise é tempo de acelerar os negócios, é tempo de investir mais, principalmente em publicidade e marketing. Por isso a Microcamp nunca teve uma crise, pelo contrário, e eu não permito isso.
Milton Paes: Qual foi o crescimento de 2008 para 2009?
Eloy Tuffi: Nossa, eu tive um crescimento muito grande. Em janeiro nós batemos recorde de matrículas: mais de 30%, principalmente porque os meus concorrentes foram para outros ramos profissionais amplos e me deixaram para vender curso, e o meu negócio é vender informática.
Milton Paes: Você vem diversificando na área de informática, principalmente na região de Campinas, por ser um polo de tecnologia. Como lá existem muitas empresas da área de TI, eu imagino que nos cursos de Informática você está dando um upgrade, não está?
Eloy Tuffi: É verdade. O curso de TI é muito caro, e muitas vezes o empresário precisa bancar para o funcionário aprender, como aconteceu com o curso de Informática há 20 ou 30 anos. Hoje, se o empresário quiser um funcionário de TI ele vai ter de pagar - e os cursos são muito caros. Como eu fiz há 30 anos, quero também popularizar o ensino de TI no Brasil. Hoje muita gente está brigando comigo, mas eu vou cobrar R$ 150 para oferecer um curso de TI. Claro que é um curso barato, afinal, irá pagar somente R$ 150. O que eu gostaria é que os empresários bancassem isso, esse custo baixo. Todas as 160 escolas Microcamp estão investindo forte em TI, em novas tecnologias da informação. E eu explico isso: houve a era da informática, com Windows, Office e Excel, mas agora nós descobrimos que isso já está ultrapassado. Eu acho que temos novas tecnologias muito mais fortes do que a Microsoft. E eu não vou nem falar mais nada, porque eu ganhei dinheiro durante 20 e tantos anos com a Microsoft e continuo, tanto que eu sou mais velho, a minha empresa é mais velha do que a Microsoft.
Milton Paes: Vocês têm esquemas com as empresas na questão dos cursos? Em vender pacotes fechados?
Eloy Tuffi: Esta é a realidade, porque médico, dentista, todo mundo tem de ter um programa específico. Um médico, advogado, ou jornalista, tem de ter, e tem, vários programas. Por exemplo, se alguém quer uma ferramenta para um jornalista, nós temos. Se alguém quer uma ferramenta para o empresário, eu uso o SAP, uma das melhores ferramentas que existem. Nós ainda não temos uma ferramenta brasileira, temos de usar as de outros países, e eu também quero que as pessoas -principalmente, os meus alunos e professores- criem essa nova tendência, que é a tecnologia. Que saiam da informática e entrem de braços abertos na tecnologia.
Roberto Muller: Eloy, ao tomar conhecimento da sua trajetória curiosa e bem-sucedida, me ocorre uma questão: como é que você faz com o seu tempo? A que você se dedica? Aos negócios ou a empreendimentos novos? Você cuida mais da área de computadores, de educação, de gado, ou de turismo? Você pensa em novos negócios e tem executivos que tocam suas coisas?
Eloy Tuffi: Nós temos de ter, e isso eu agradeço muito a Campinas, porque eu tenho uma holding lá, e tenho todos os profissionais que cuidam do meu negócio. E isso me dá tranquilidade para tocar muito mais negócios porque eu tenho uma equipe. Hoje eu tenho uma assessoria de imprensa com cinco jornalistas, antigamente só tinha um. E na área de marketing, eu tentei entrar numa agência e não gostei, pois eu, modéstia à parte, sabia mais do que eles. Hoje eu tenho tudo: eu mando um auditor meu que nunca viu uma fazenda na vida fazer controle de vacas, e ele vai lá e anota as vacas, e vai jogando tudo no SAP. Hoje minhas vacas estão todas no SAP. Está tudo lá: quando elas nasceram, quantos quilos elas pesam aos três meses, aos dois meses, a época boa para elas serem mães, tudo isso está no sistema.
Roberto Müller: E o seu tempo é dedicado a pensar em novos negócios?
Eloy Tuffi: Novos negócios são fundamentais, mas é preciso ter estrutura por trás, porque antigamente minha mãe já me falava: você não pode botar dois pés em duas canoas, você tem de atacar uma canoa só. Hoje não: essas ferramentas, com os funcionários que eu tenho, me dão estrutura. Na minha fazenda, eu tenho três veterinários, um gestor, um administrador e tenho um chefe, que antigamente era capataz.
Márcia Raposo: E o assédio para comprar os seus negócios? Porque dizem que o Brasil é a bola da vez, mas a bola da vez também são os investidores externos?
Eloy Tuffi: Nós, brasileiros, não podemos falar de crise se não vendemos os nossos negócios para os estrangeiros. Somos a bola da vez e vamos crescer cada vez mais, e o empresário tem de crescer cada vez mais, com a cabeça sólida. O empresário tem de crescer com a cabeça voltada para o nosso futuro brasileiro, porque aqui, no Brasil, dá para fazer tudo. Se eu estivesse hoje bem, eu colocaria uma rede de hospitais, porque que a saúde no Brasil é precária. Por que você não pode abrir 160 ou 200 hospitais? Ou abrir uma franquia de hospitais? Aí é negócio para vocês, não para mim, porque eu não quero mais saber disso. Precisamos de hospitais bons, e precisamos baratear também, o custo da saúde, porque os hospitais bons são muito caros no nosso país.

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