Direto de Brasília Abnor Gondim Correspondente em Brasília
13/11/2017 - 20h45

Temer espera contar com o PSDB na reforma da Previdência

É mais fácil o presidente da República ter votos entre os tucanos do que obter apoio maciço dos partidos do 'Centrão' para mudar as regras previdenciárias

Temer: nas mãos dos partidos que preferem agradar ao funcionalismo
Temer: nas mãos dos partidos que preferem agradar ao funcionalismo
Foto: Reuters

Mesmo desfalcado com o início da debandada do PSDB do governo, o presidente Michel Temer espera encontrar os tucanos, se a reforma da Previdência dobrar a esquina e entrar na pauta de votações antes do final deste ano.

A saída do ministro das Cidades, Bruno Araújo, que voltará a exercer o mandato de deputado pelo PSDB pernambucano, antecipou nesta segunda-feira, dia 13, o desembarque que deveria acontecer em dezembro,nas previsões do presidente da legenda, o senador Aécio Neves (PSDB-MG).

Entre as alas que se conflitam no PSDB, há um consenso: a pauta da reforma da Previdência é do País e não do governo.

Será mais provável contar com o apoio dos tucanos do que dos centristas. Afinal, eles fogem das mudanças previdenciárias a um ano das eleições como o diabo foge da cruz.

Até tucanos insatisfeitos com o governo, como o líder da legenda na Câmara, Ricardo Trípoli (PSDB-SP), afirmam que vão apoiar a reforma previdenciária. Nem todos, O senador Tasso Jereissati (PSDB-CE), o número 1 da liga tucana contra Temer, não vê clima para o governo votar alterações relevantes.

"Um governo que está, de alguma maneira, politicamente enfraquecido, com um desgaste gigantesco não tem condições de levar adiante reformas realmente profundas que o País precisa", disse Tasso.

Ataque aos servidores

O presidente Michel Temer reafirmou nesta segunda-feira, dia 13, que o governo quer aprovar ainda este ano a reforma da Previdência e voltou a destacar que a proposta acabará com privilégios de servidores públicos.

"Vamos completar essa fase reformista que adotamos no País durante esse governo, quem sabe ainda neste ano. Quem sabe, não, com toda certeza. Aqui a gente diz uma coisa e depois dizem que há dúvida. Não há dúvida. Nós vamos fazer a reforma previdenciária que é importante para o País e vamos desmistificar e desmentir certas coisas que disseram no começo", afirmou o presidente, em cerimônia de entrega simbólica dos primeiros Cartões Reforma, para que famílias de baixa renda possam fazer melhorias em suas casas.

O presidente voltou a defender que a reforma da Previdência acabará com privilégios na hora de aposentar. "Não faz sentido os trabalhadores da iniciativa privada levarem um tempo mais longo para se aposentar e se aposentem com valor pequeno, enquanto servidores públicos se aposentam mais cedo e com valores estratosféricos. Estamos tendo coragem para fazer isso", acrescentou.

Light e urbana

O presidente do Senado, Eunício Oliveira (PMDB-CE), afirmou que conversou neste domingo, dia 12, com o presidente Michel Temer sobre a reforma da Previdência e o alertou que apenas uma reforma enxuta e urbana tem chances de seguir adiante.

O presidente do Senado disse que na conversa com Temer alertou para dificuldades na reforma da previdência. "Eu disse que sinceramente não aceitava neste momento que [a reforma] ela fosse discutir a questão da previdência do homem do campo, que mexesse nisso", afirmou, ressaltando: "O presidente me disse que ia preservar essa questão".

O pé de Maia no freio

O governo prometeu, prometeu e não cumpriu. Não saiu até esta segunda-feira nenhuma medida provisória para ajustar a reforma trabalhista e atender reivindicações dos senadores da base aliada.  O freio tem o pé do presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), que criticou  a pretensão do governo federal de usar medida provisória e não projeto de lei para fazer mudanças na lei trabalhista que entrou em vigor em 11 de novembro.

"Para mim é inconstitucional, além de gerar uma grande insegurança para o trabalhador e criar um precedente: se ninguém fizer nada [para impedir o uso de medida provisória nesse caso], qualquer presidente que entrar poderá mudar essa legislação por medida provisória. É o mesmo que usar medida provisória para privatizar a Eletrobras. Isso [o uso de medida provisória nesses caso]) enfraquece a democracia e enfraquece a relação entre os poderes", afirmou Maia durante evento no Rio de Janeiro.

Justiça do Trabalho na mira

Um projeto para extinguir a Justiça do Trabalho é uma carta que está na manga do presidente da Câmara. Ele poderá sacá-lo, se os juízes trabalhistas confirmarem resistência para cumprir a nova legislação.

Maia mandou um recado ao governo e aos magistrados refratários à nova legislação alegando que uma MP pode estimular a rebeldia judicial.

"Na hora que você editar uma medida provisória, todos aqueles juízes que são mais ideológicos, são contra a aplicação da lei, vão dizer 'se tem uma medida provisória, eu vou esperar a votação e sanção dessa medida provisória para implementar a lei'. São mais quatro meses", previu o presidente da Câmara. "Por isso a medida provisória enfraquece a lei e cria uma insegurança jurídica", concluiu.

 

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